12 bairros

A dona de casa Elizabete Regina Razera Carvalho, de 38 anos, entrou em contato com o Jornal de Piracicaba  para reclamar da unificação das linhas de ônibus bairro Verde e Higienópolis. Com a mudança, ocorrida há dois meses, o tempo de passagem entre um veículo e outro mudou de 20 minutos para até 1 hora. Pior: aos fins de semana e feriados, a demora aumenta para até 2h.
 
A história de Elizabete foi contada na edição de quarta-feira (31) e, como resposta, a prefeitura informou que a unificação ocorreu em função da baixa demanda de passageiros nessa região.
 
Os leitores do JP, ao acompanharem o relato de Elizabete, se identificaram e trouxeram outras histórias à redação, algo muito semelhante ao ocorrido em janeiro, quando este matutino noticiou o atraso nas entregas das correspondências pelos Correios no Parque dos Eucaliptos e, na sequência, relatos de 42 bairros pipocaram nas redes socais.
 
Agora, não é diferente. A história de Elizabete não é apenas dela, é também de moradores que estão em pelo menos 12 bairros. Além disso, a reclamação dos usuários do transporte coletivo é sobre a higiene nos terminais, em especial nos bairros Piracicamirim e Pauliceia.
 
O que muda entre a matéria de Elizabete e a de hoje é a resposta do Executivo: a de que houve uma redução gradativa de passageiros do transporte coletivo, o que obrigou a Semuttran (Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes) a adequar a oferta de viagens com a demanda, “por obrigação contratual”.
 
Nem todos os moradores de uma cidade têm a possibilidade de ter um carro na garagem. Há uma pequena parcela, bem pequena, adepta de transportes alternativos. Mas, o problema, mesmo, é quando olhamos uma cidade planilhada, em que há uma leitura fria dos números. Matemática pura.
 
Aqui, no caso das mudanças do transporte, temos famílias, pais, donas de casas, diaristas, trabalhadores do comércio e muitas outras “pessoas” com necessidades reais de deslocamento — e com muitas barreiras em seus caminhos.