15 DE NOVEMBRO

José Faganello

Oh, República universal, / És apenas uma centelha, / Amanhã será o sol”. (Victor Hugo)

Este título pode referir-se tanto ao nosso time de futebol, como a data da implantação de nosso regime de governo. Quanto ao time sou da opinião que, com este nome republicano, jamais dará certo, jogando em seu estádio monarquista: Barão da Serra Negra.
A data comemora a proclamação da República em 1889, 229 anos se passaram. Descontando o período ditatorial de Vargas e o chamado Regime Militar, sobrou pouco tempo para ser dividido pelos muitos presidentes que nos governaram. Foi um aprendizado democrático não muito expressivo. Até as últimas eleições, o poder político esteve sempre atrelado à dominação das elites.
República significa governo do povo. Na nossa, a massa popular serviu apenas para legitimar governos sem nenhum compromisso com suas necessidades e aspirações.

Em uma síntese possível neste espaço podemos pincelar um resumidíssimo panorama do chamado período republicano.

Em 15 de Novembro de 1889 foi proclamada a República pelo marechal Deodoro da Fonseca, que era um dos guardiões do Império e, que um ano antes, em carta a um sobrinho, declarou: “O único sustentáculo do nosso Brasil é a monarquia; se mal com ela, pior sem ela. A República será uma desgraça para o Brasil”.

Na República da Espada, primeiro com Deodoro, que renunciou antes de terminar o mandato; depois com Floriano Peixoto, intitulado o Consolidador da República, houve cinco anos de agitações, de embates entre idealistas, oportunistas e saudosistas. Aconteceram absurdos entre os quais a posse de Prudente de Morais, entrando em um palácio vazio sem ninguém para recebê-lo. Melancolicamente terminou a era dos sonhos românticos, com o fracasso da República Idealista que não chegou a existir.

A Segunda República foi o reinado do café e do poder nas mãos da aristocracia rural. Contemporânea da transformação do capitalismo em imperialismo, da Primeira Guerra Mundial de 1914 a 1918, da Revolução Russa de 1917, da crise mundial ocasionada pela quebra da Bolsa de Nova York, do declínio do Império Britânico e a ascensão dos EUA como líder do capitalismo mundial.
No Brasil houve alguns fatos marcantes: a fundação do Partido Comunista, fator de aglutinação do proletariado como classe capaz de reivindicar melhores condições, a tomada de consciência da contradição existente entre o desenvolvimento capitalista e a estrutura arcaica de nossa agropecuária, com seu semiescravismo, e a Revolução de 30, com a derrubada da burguesia agrária e a substituição da influência inglesa pela norte-americana.

De 1930 a 1945, o Brasil teve vários tipos de governo, sempre com Getúlio no mando, sendo que de 1937 a 1945 como ditador. Destituído do poder em outubro de 1945, teve como sucessor eleito, o General Eurico Gaspar Dutra. Getúlio retornou em 1951, pelo voto popular, marcando seu governo por um cunho nacionalista ao criar a Petrobrás e ao tentar restringir as remessas de lucro das multinacionais. Teve seu mandato interrompido pelo suicídio em 24 de agosto de 1954.

Seu sucessor Juscelino, com o Plano de Metas de fazer crescer o Brasil “50 anos em cinco” construiu Brasília, inaugurada em 21 de abril de 1960, trouxe a General Motors, Willys, Ford e Volkswagen, construiu rodovias, necessitando para isso de empréstimos externos, sem conseguir aumentar as exportações para pagá-los. Foi um período de euforia nacional e o início de uma crise que se avolumou continuadamente.

O governo Jânio Quadros e o de João Goulart contribuíram para jogar o Brasil em uma crise institucional que iria mantê-lo por 21 anos sob um regime ditatorial, apropriadamente conhecido como “Os Anos de Chumbo”.

Foi durante este período que surgiu uma nova liderança: Luis Inácio da Silva, Lula, ao comandar os metalúrgicos do ABC paulista em uma grande manifestação em primeiro de maio de 1979 no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo.

Este líder, após tentativas frustradas, conseguiu assumir a presidência da República. Tanto ele, como sua sucessora, conseguiram frustrar as esperanças de quem os elegeu, acreditando nas promessas não cumpridas.

Essa última eleição demonstrou que uma maioria quer varrer nossos atuais dirigentes que ajudaram afundar o Brasil como uma espantosa corrupção. Espero que não nos decepcione como fez o Lula e a Dilma. Se assim for o Brasil vai subir para onde deveria estar.