18 de Maio: Dia Nacional de enfrentamento ao Abuso e à Exploração contra crianças e adolescentes

Conversando a algum tempo atrás com a Profª Drª Maria Alves de Toledo Bruns, líder do Grupo de Pesquisa Sexualidade Vida-USP, relato o que ela disse.

“O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) estima que 2 milhões de crianças sejam exploradas na prostituição ou pornografia a cada ano. A infância continua sendo aprisionada ao sofrimento. Sofrimento este que, segundo os estudos acerca do incesto, tem a seguinte característica: 85% dos casos de abuso sexual em crianças e adolescentes são praticados por agressores que desfrutam da intimidade familiar, o que significa dizer que o agressor é uma pessoa em quem a criança ou o/a adolescente confia, a quem admira, com quem compartilha afetividade e de quem depende financeiramente”.

“As consequências da violência sexual independem do tipo: sem contato físico – abuso verbal, telefonemas obscenos, vídeos/filmes pornográficos, voyeurismo; com contato físico – bolinações de genitais; transar ou tentativa de; ou ainda com contato físico com violência – estupro, brutalização, assassinato; e ainda a exploração da prostituição infantil”.

Que pistas podem ajudar pais e educadores a perceberem que a criança está sofrendo? Segundo a Dra. Bruns a criança pode apresentar, pesadelos, distúrbios do sono, isolamento, comportamentos regressivos, como fazer xixi na cama, ataques de raiva sem aparente motivo, doenças sexualmente transmissíveis, insegurança, retraimento, entre outras. “É que, a criança/adolescente, por medo, vergonha e culpa, tem dificuldade de denunciar o agressor. Muitas vezes há o pacto do silêncio da própria família”.

Ela afirma que é preciso que a família revisite seus segredos, o que envolve, muitas vezes, “quebrar” o seu silêncio em relação às pistas identificadas e procurar meios para retirar a criança/adolescente do poder de seu agressor.

O abuso sexual é sempre um fator desagregador da personalidade infantil em formação, e de sua estrutura neuropsicológica em maturação. Para tratar suas consequências são necessários programas terapêuticos específicos. Estes atendimentos devem estar centrados em uma intervenção focal, na crise, como também em um trabalho profilático junto à comunidade, escolas, hospitais dentre outras instituições.

Prevenção: A melhor maneira de se combater a violência sexual contra crianças e adolescentes é a prevenção. É necessário um trabalho informativo junto aos pais e responsáveis, a sensibilização da população em geral, e dos profissionais das áreas da Saúde, Educação e Jurídica, com a identificação de crianças e adolescentes em situação de risco, e o acompanhamento da vítima e do agressor.

Melhor forma de prevenção ao abuso sexual infantil: como terapeuta sexual e educador sexual sempre demonstro a importância e a URGENTE necessidade da implantação da educação sexual continuada nas escolas. Por que nas escolas? Porque é o ambiente onde as crianças e os adolescentes – nossos filhos e educandos – passam a maior parte do tempo, e também é um espaço (ou deveria ser) para discussões e reflexões sobre assuntos importantíssimos como esse. Temos comprovado que quanto mais informações corretas (cientificamente), sem preconceitos, falsos moralismos e abertura sincera para falar sobre sexo e sexualidade, o/a adolescente “atrasa” em até dois anos o início da vida sexual.