2018, um ano de muitos contrastes

Pedro Antonio de Mello

É secretário Municipal de Saúde

Há quase 6 anos como Secretário de Saúde, posso dizer com segurança que 2018 foi o mais difícil em termos de gestão pública. A profunda crise financeira que abalou o país nos últimos anos comprometeu severamente a vida das pessoas que perderam seus empregos e, consequentemente, seus familiares, provocando a migração de cerca de 30 mil pessoas de planos de saúde para o SUS. O mal-estar decorrente do cenário social contribuiu também para o agravamento da saúde dessas pessoas prejudicadas pela crise, que precisaram do apoio de nossa rede de atenção básica e urgência e emergência.

Por outro lado, 2018 foi também um ano de muitas conquistas sólidas e duradouras, que projetaram a cidade a um novo patamar em saúde pública, tornando-a referência nacional na formação de profissionais para o setor. Conta nesse processo a consolidação da Residência Médica, a entrada em operação do Hospital Regional, o início das aulas na Faculdade de Medicina Anhembi Morumbi, a chegada da carreta para diagnóstico de câncer de mama, da Fundação Ilumina, o processo acelerado da obra do Hospital de Amor, que deve entrar em operação no início do ano que vem, bem como a construção de novas unidades de saúde para a Atenção Básica, além da nova UPA Vila Cristina, que será um centro de atendimento moderno, com tecnologia de última geração.

Sem recursos novos para absorver a demanda adicional pelos serviços da rede pública, a solução encontrada pela pasta foi fazer mais com menos. Ou seja, todas as equipes da Secretaria de Saúde tiveram que trabalhar intensamente para contornar a situação. O cenário se agravou devido a problemas de abastecimento de medicamentos e insumos alavancados pela greve dos caminhoneiros. Como o processo licitatório no setor público é por natureza moroso, decorrente de leis complexas e cheias de entraves, a paralisia no sistema de transporte de cargas atrasou a entrega, prolongando o prazo para a regularização dos estoques.

Houve também a decisão do governo cubano de romper abruptamente o acordo com o Programa Mais Médicos, retirando seus profissionais do país de uma hora para outra. Ou seja, de repente nos vimos sem 22 médicos nas nossas USFs. Para enfrentar mais esta, criamos uma ampla estratégia de encaminhamento de pacientes para os CRABs e UBSs; foi montado um sistema de cobertura médica; realizamos mutirões aos sábados etc.

Em síntese, vivemos um verdadeiro tsunami em 2018. Por outro lado, foi um ano de abertura de caminhos para uma nova realidade em que todos saímos fortalecidos. Nesse sentido, entraremos em 2019 com o pé direito e mais convictos de que o pior ficou para trás. Traçamos agora novos planos, em uma cidade que, no campo da saúde pública, se posiciona como polo nacional de formação e em condições de contribuir de forma sustentável para o desenvolvimento regional.