23ª Festa da Polenta de Santa Olímpia começa amanhã

Tradicional evento acontece durante este fim de semana e busca a manutenção da cultura tirolesa na região de Piracicaba. (foto: Amanda Vieira/JP)

A 23ª edição da Festa da Polenta começa amanhã (19) e vai até o domingo (21), na Praça Central do bairro Santa Olímpia. O tradicional evento comemora a cultura da comunidade trentino-tirolesa que se instalou na localidade no fim do século 19. A festa é organizada pela Associação de Santa Olímpia e pelo Círcolo Trentino Di Santa Olímpia, em parceria com a SemacTur (Secretaria Municipal da Ação Cultural e Turismo), a Semob (Secretaria Municipal de Obras), a Semuttran e com a Guarda Civil. A entrada é gratuita, e o estacionamento no local custa R$ 20 para carros e R$ 10 para motos.

A festa típica reúne danças, músicas e gastronomia típica tirolesa. A programação musical e artística é comandada por bandas que tocarão apenas músicas da região de Trento, enquanto o cardápio variado inclui frango ao molho, a Cucagna (fritada de ovos com linguiça, tomate, cebola, queijo e bacon), o Crauti (repolho cozido com linguiça calabresa e pernil), Canederli (sopa de nhoque preparada com pão amanhecido, trigo, frango e linguiça) e, claro, a polenta, que aparece em quatro versões: tradicional, brustolada, palentota e frita. Segundo uma das cozinheiras do evento, o segredo da polenta de Santa Olímpia é a qualidade do fubá utilizado na receita, que vem do Sul do Brasil, moído em moinhos de pedra.

Para que a festa aconteça, todo o bairro se reúne, formando uma equipe com 400 voluntários, não somente essenciais para o andamento do evento, mas para a integração comunitária. “Cumprimento a comunidade pelos 23 anos dessa festa, que a cada ano melhora e reúne uma parcela significativa da população piracicabana para comemorar as tradições tirolesas”, disse o prefeito Barjas Negri em cerimônia de apresentação da festa, na manhã de ontem, em Santa Olímpia. “O trabalho comunitário e voluntário dos moradores é o que garante o sucesso e êxito do evento”.

Para Elsa Pompermayer Stenico, presidente do Círcolo Trentino Di Santa Olímpia, o evento é importante para que a cultura de Santa Olímpia nunca desapareça. “O ponto culminante da festa é a manutenção da nossa cultura. Queremos que não só o bairro conheça a nossa história, mas que todos os visitantes também possam aprender sobre a importância dela”, afirma. “Mesmo com a globalização, nos esforçamos para que a cultura tirolesa não morra e que as novas gerações tenham contato com ela”.

A novidade desta edição é o lançamento do livro “Saberes, Sabores e Tradição”, antes disponível apenas em formato virtual. A produção, feita por iniciativa do Círcolo Trentino, resgata a história e cultura do bairro, além de revelar todas as receitas típicas de Santa Olímpia. De acordo com o arquiteto Marcelo Cachioni, diretor do departamento de Patrimônio Histórico do Ipplap (Instituto de Pesquisa e Planejamento de Piracicaba), entidade que é editora do livro, o resultado é um material importante para a manutenção da cultura dos moradores. “É um esforço coletivo cujo projeto nos interessou pela importância que Santa Olímpia tem em Piracicaba e por conta de nosso interesse na preservação desse patrimônio”, diz. Mil exemplares serão distribuídos gratuitamente na Festa da Polenta deste ano.

HISTÓRIA

A comunidade de Santa Olímpia fixou-se em Piracicaba no fim do século 19, vinda dos alpes da Província de Trento, entre a Itália e a Alemanha. A imigração seguia um grande fluxo do período, impulsionado pelas crises e conflitos que marcavam o fim do império Austro-Húngaro e pela massiva propaganda do governo brasileiro, que procurava substituir a mão-de-obra escrava.

Os trentinos cultivaram, inicialmente, o café na região, substituído pela cana de açúcar nos anos 30, cultivo que é mantido por algumas famílias do bairro até hoje. A distância entre Santa Olímpia e a região urbana de Piracicaba contribuiu para a singular manutenção de hábitos e da cultura local.

 

Mariana Requena
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