4 toneladas de peixes morrem no rio Piracicaba

Aproximadamente 4 toneladas de peixes morreram no rio Piracicaba.Foto:Amanda Vieira/JP

Onze meses após a mortandade de seis toneladas de peixes registrada no Rio Piracicaba, no trecho conhecido como Canal Torto, o Instituto Beira Rio registrou ontem a mortandade de quatro toneladas de várias espécies, entre elas algumas quase em extinção no rio. O presidente da entidade, Luís Fernando Magossi, o Gordo do Barco, lamentou o fato e questionou a coincidência. “Em 5 de outubro ocorreu a mortandade de seis toneladas e hoje, por coincidência, mais quatro toneladas no mesmo trecho”, afirmou.

O ambientalista contou que desde segunda-feira vem recebendo mensagens de pessoas denunciando a mortandade em Ártemis. “A população de Piracicaba lamenta profundamente o que ocorre com o rio”, observou. Ele disse que o auge da mortandade ocorreu na terça-feira.

Gordo e outras cinco pessoas denunciaram o desastre ambiental ao Gaema (Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente) e à Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). Ao contrário do ano passado, o presidente do instituto disse que quando chegou ao local não sentiu cheiro de produtos químicos, porém, ele não descarta a possibilidade de despejo irregular.

Gordo disse que desde a última sexta-feira até o sábado, o nível do rio Piracicaba baixou para 11 metros cúbicos por segundo. “De 26 metros caiu para 15 metros cúbicos, isso é uma queda grande, mas não provocaria uma mortandade dessas”, observou. Entre as espécies mortas ele citou piauçu, lambari, curimbatá, mandi e piapara. Alguns peixes, segundo Gordo, pesavam até três quilos.

A Cetesb informou que durante vistorias realizadas entre ontem e hoje (3 e 4) técnicos da companhia constataram a presença de peixes mortos em três trechos do rio Piracicaba: ‘no distrito de Ártemis, a montante e a jusante do canal do Torto’.

Segundo o órgão, análises apontaram que a mortandade ocorreu pelos baixos índices de oxigênio, em decorrência das últimas chuvas após longo período de estiagem e a baixa vazão do rio. “Não foram identificados lançamentos de fontes pontuais na região”, informou em nota.

Segundo a Cetesb, foram realizadas medições de oxigênio dissolvido, nos pontos mencionados e o resultado obtido foi entre 2,0 e 4,0 mg/ litro, o ideal é maior que 5,0 mg/litro.

Beto Silva
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