45 reeducandos estão em projeto

Projeto estadual ajuda reeducandos a se aproximar da sociedade pintando sala de aula

Quarenta e cinco reeducandos do CDP (Centro de Detenção Provisória) “Nelson Furlan” e o CR (Centro de Ressocialização) Feminino “Carlos Sidnes de Souza Cantarelli” de Piracicanba iniciaram a pintura em duas escolas de Piracicaba através do Programa “Escola + Bonita”, realizada pelo Governo do Estado. A ação é uma parceria entre as SEE (Secretarias de Estado da Educação), SDE (Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado e da SAP (Secretaria de Administração Penitenciária).

Vinte e cinco reeducandos do CDP iniciaram os trabalhos na semana passada na Escola Estadual Professor Elias de Mello Ayres, no São Dimas e as 20 ressocializandas do CR, na Escola Estadual Profa. Jaçanã Altair Pereira Guerrini, na Vila Independência. Eles encerrraram os trabalhos na sexta-feira (1º). Os trabalhos foram realizados durante o período de férias escolares.

As unidades prisionais da região participaram do Programa “Escola + Bonita”, realizado pelo Governo do Estado e parceria entre as secretarias da Educação, Administração Penitenciária e de Desenvolvimento Econômico. A estimativa é fazer a revitalização de 2,1 mil escolas estaduais de São Paulo até 2020, com o trabalho de presos em regime semiaberto.

O diretor do CDP Maurício Arantes Romero Gonçalves disse que durante a seleção busca dar a oportunidade da participação do reeducando que não tinha profissão. “A proposta é que ele se prepare para ter um novo ofício depois que deixar a unidade prisional e aqueles que já tem qualificação estão desenvolvendo atividades em empresas. Hoje temos duas empresas. Uma de lavanderia que emprega 15 presos e outros 20 custodiados em uma metalúrgica”, comentou o diretor.

Segundo ele, a escola de Mello Ayres, é vinculadora, ou seja, os professores da escola prestam serviços na área educacional para a Penitenciária Masculina de Piracicaba.

A diretora da escola, Miriam Henrique de Araújo disse que ficou encantada com a organização e os trabalhos dos reeducandos. “É a primeira vez que a escola participa do programa. Percebo que eles estão orientados quanto a usar os equipamentos de segurança e acho que estão prestando o serviço para a comunidade através da escola pública” afirmou. “Além de deixar a escola mais bonita, a iniciativa serve para a ressocialização deles”, Para o instrutor do programa, Washington da Silva Leite, a qualificação começa na aula teórica como a preparação da superfície e escolha da tinta. Depois fazem a aplicação da tinta. “Aqueles que chegam com alguma experiência acabam se destacando. No entanto têm aqueles, que não tinham nenhum contato, mas têm vontade de aprender e acabam surpreendendo”, afirmou Leite.

CR

A diretora do CR, Celeste Maria Varella Abamonte enfatizou sobre a importância da realização do programa. “As reeducandas conseguem enxergar um mundo novo. Elas têm a oportunidade de transformar algo em situação melhor. O segundo ponto é que encerra o curso com o certificado. Sem contar que o conhecimento é algo que se leva para toda a vida. Outra questão importante é que também consegue a remição. A cada três dias trabalhos consegue um dia de desconto na pena”, afirmou Celeste.

A pintura será feita em horários que não interrompam a utilização da escola e com todos os cuidados devidos, com tintas que não têm cheiro, para permitir que no dia seguinte professores gestores, funcionários e alunos também possam frequentar”, afirmou o governador João Doria (PSDB), em nota.

Por meio do programa, serão pintadas 500 escolas. Neste projeto, os reeducandos participantes serão capacitados e pintarão escolas durante este curso profissionalizante. Outras 1,6 mil serão recuperadas graças ao trabalho de presos contratados por meio da Funap (Fundação “Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel), totalizando 2,1 mil escolas. Muitos destes reeducandos possuem capacitação em pintura, hidráulica e elétrica. Os que não tiverem serão qualificados pelo Centro Paula Souza. Todas as outras escolas que apresentarem a necessidade de reparos serão atendidas pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.

(Cristiani Azanha)