5 anos e Caetano Ripoli ainda é presente

Tomaz Caetano Cannavam Ripoli, nascido em 16 de fevereiro de 1947, considerava-se, com muita alegria, “caipiracicabano”. Apesar de sua preocupação com a fala e escrita corretas, de vez em quando soltara aquele ‘R’ característico da cidade, bem puxado. Era um apaixonado pela família, profissão, política, esporte e fotografia.
 
Caetano se formou engenheiro agrônomo pela Esalq/USP em 1970 e, desde os primeiros anos de sua graduação, se identificou com a fotografia. O esporte entrou em sua vida pelo legado de meu avô, Romeu Ítalo Ripoli, cidadão muito influente e polêmico em Piracicaba, que presidiu o XV de Novembro por muitos anos.
 
Caetano era frequentemente abordado por jornalistas que queriam compartilhar suas experiências e conhecimento. Foi durante a graduação e um estágio com o professor Luiz Geraldo Mialhe que se interessou pela pesquisa em Máquinas e Implementos Agrícolas, com foco na melhoria da mecanização da cultura da cana-de-açúcar. Assim que se formou, participou da implementação da Faculdade de Agronomia Luiz Meneguel, em Bandeirantes (PR), a convite do professor Salvador Toledo Piza Jr. e foi um dos fundadores do renomeado Centro Tecnológico da Copersucar.
 
Em 1972, casou-se com Maria Lúcia, minha mãe, pessoa que mais o apoiou em toda sua vida. Digo com segurança que tudo que aprendi de bom foi graças a eles. A partir de 1982 começou a dar aulas na Esalq, onde permaneceu até 2013, agregando uma coleção de mais de 21 mil imagens que registravam suas andanças pelo país e pelo mundo.
 
Caetano Ripoli foi quem idealizou e estudou a fundo, pela primeira vez no mundo, o conceito de recolhimento de palhiço de cana-de-açúcar com finalidade de cogeração de energia elétrica nas usinas e melhor manutenção da cultura. Hoje este palhiço é chamado de resíduo de colheita, ou ainda, simplesmente palha de cana. Era chamado de louco e visionário, mas desde lá já pensava em um sistema sustentável e numa economia circular… Fico muito feliz em saber que estava certo e testemunhar após poucos anos a sua ideia se tornar realidade em diversas usinas e fornecedores de cana.
 
Tenho a felicidade de, por onde passo, de ser abordado por muitas pessoas que compartilharam momentos de alegria ao lado dele. Saudade de meu maior ídolo, meu pai!
 
Acredito que sua última e maior paixão foi quando seu neto, Matheus Ripoli Lara, piracicabano, que nasceu em 10 de julho de 2010. Sua maior tristeza não era tanto a doença, mas sim saber que não iria poder ver seu neto crescer… Matheus foi seu melhor remédio…
 
Faleceu dia 24 de fevereiro de 2012, aos 66 anos, vítima de câncer.
 
 
Marco Lorenzzo Cunali Ripoli é agroinfluenciador, Ph.D