7 de Setembro

“A independência nunca é dada a um povo. Ela deve ser conquistada, e, uma vez conquistada, tem de ser defendida”. (Chaim Weizmann)

A Europa, ao iniciar sua expansão geográfica no século XV, através de Espanha e Portugal  apossaram-se de enorme parte do território americano. O Brasil, até o século XIX permaneceu como uma colônia de exploração, inicialmente sem muita importância, depois valorizada com o ciclo do ouro, no século XVIII. Com o Bloqueio Continental, decretado por Napoleão em 1806, a família real portuguesa, em novembro de 1807, foi obrigado a fugir para cá, aportando em Salvador a 22 de janeiro de 1808. O Brasil transformou-se em sede político – administrativa do Império luso, permanecendo Lisboa ocupada pelos franceses.

O aumento das despesas, oriundo da presença da corte entre nós, acarretou crescente tributação sobre a população brasileira, provocando a Revolta de 1817 em Pernambuco, violentamente esmagada pelas tropas governamentais. A permanência da corte, no entanto, criou uma infraestrutura de governo tal, que com o regresso de D. João VI, em abril de 1821, deixando seu filho D. Pedro como príncipe regente, o Brasil entrou em contagem regressiva para conquistar sua independência. Ela foi oficializada em 7 de setembro de 1822, em S. Paulo, às margens do riacho Ipiranga. Em seguida foram derrotadas, sem muito esforço, as tropas portuguesas aqui sediadas e contrárias à Independência. Nosso processo de independência foi dirigido pela aristocracia, sem a participação da grande massa da população. Não houve mudanças, nem na estrutura produtiva, nem na sociedade. Os interesses da elite agrária ficaram garantidos e a escravidão, base de nossa economia, bem como a produção agrícola, voltada para a exportação, permaneceram..

O Brasil, entretanto, livre das amarras do Pacto Colonial, inviabilizou a recolonização lusa, que ameaçava os interesses de nossas elites.

Nosso processo de libertação e organização do Estado Brasileiro foi bem diferenciado em relação às demais ex-colônias da América. Nestas ocorreram longas guerras e estabeleceram-se regimes republicanos. Nossa Guerra da Independência foi curta e continuamos com a monarquia. Não fugimos, porém, à sina dos demais países latino-–conquistar apenas independência política, não econômica, que ocorreu com as treze colônias da América do Norte. Tivemos uma vantagem sobre as ex-colônias espanholas, não sofremos a fragmentação  territorial, mantendo nossa integridade.

Nas colônias espanholas houve ampla participação da população nas guerras de libertação, enquanto no Brasil, excetuando poucas regiões, apenas as elites participaram. Cobraram esta participação sem nenhuma condescendência – mantiveram a estrutura escravista; opuseram-se a uma meta de ampliação dos direitos do povo, restringiram a participação popular na política e legislaram sempre em causa própria.

Podemos afirmar que uma população incapaz de aglutinar-se, energicamente, contra os abusos desmedidos de nossa elite política e econômica, mantendo-se atomizada, submetida a um Estado todo – poderosos em relação ao arbítrio que usa contra os trabalhadores, os funcionários públicos e os excluídos, jamais teremos um país justo e pujante.