A árvore do fim da guerra

A sapucaia faz 100 anos, assim como faz um século que encerramos nosso primeiro conflito mundial, que terminou no dia 11 de novembro de 1918, diga-se nossa primeira, porém, não única, grande vergonha humana, que deixou para trás nada menos que 9 milhões de mortos, entre civis e militares, além de 30 milhões de feridos. Vale dizer que o Estado de São Paulo tem, hoje, 44,04 milhões de habitantes e nossa vizinha Argentina inteira tem 42,27 milhões. Não contentes, na Segunda Grande Guerra chegamos a outros recordes vergonhosos – entre 60 e 85 milhões de mortos.

No meio de tanta tristeza e decepção com a raça humana, é claro que surgiram heróis anônimos como um italiano chamado Antônio Caprânico, que em comemoração ao fim do conflito plantou árvores, várias delas pelo caminho de sua fazenda em Ipeúna até sua casa em Piracicaba. Uma delas – determinada e resistente – faz aniversário neste mês de novembro, numa data incerta, porém nem por isso desimportante. Essa sapucaia vai ganhar uma comemoração especial da prefeitura e parceiros, como o XV de Piracicaba, IHGP (Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba) e Associação Amigos da Sapucaia. Leia mais sobre essa história na matéria de Rodrigo Guadagnim na página A 3.

Entre as ações do centenário dessa respeitável árvore, está o plantio de outras mudas de sapucaia pela cidade. Quem sabe essa ‘árvore da paz’ brinde Piracicaba e seus moradores com um pouco do espírito solidário e fraterno de Caprânico, que levou para o local onde vivia com sua família a alegria pelo fim de um conflito armado e destrutivo.

O centenário da sapucaia ocorre num momento de país dividido e, virtualmente, bélico. Uma atmosfera que em nada ajuda para o desenvolvimento de uma nação e sua sociedade.
Acredito que a iniciativa de Caprânico e suas mudas de sapucaia podem inspirar mentes e corações à paz, porque atualmente me parece muito mais corajoso e valoroso plantar árvores, do que cultivar a guerra nos corações humanos.

(Alessandra Morgado)