A coxinha e seus sabores

boa comida ( Fotos: Amanda Vieira /JP)

A coxinha, um salgadinho brasileiro, de origem paulista, é um dos alimentos mais queridos pelos brasileiros. Tradicionalmente feita com massa de farinha de trigo e caldo de galinha, a iguaria envolve um recheio elaborado com carne temperada de frango, queijo, calabresa ou vários outros tipos de sabores incrementados ao longo do tempo. Modelada em forma de gota, para lembrar a coxa de galinha, a coxinha é enfarinhada com farinha de rosca e frita em óleo quente. Existem coxinhas com requeijão cremoso no recheio e também à base de mandioca, mandioquinha ou batata doce. Atualmente é a especialidade de salgado mais consumida no Brasil, sendo considerada pela população brasileira como paixão nacional.

 

 

A coxinha tem sua origem no século XIX, na região da Grande São Paulo, no estado de São Paulo. De acordo com historiadores da alimentação, a coxinha foi desenvolvida durante a industrialização de São Paulo, para ser comercializada como um substituto mais barato e mais durável às tradicionais coxas de galinha que eram vendidas nas portas de fábricas. De São Paulo, a receita rapidamente se espalhou pelo restante do estado e logo por todo o território nacional popularizando-se no Rio de Janeiro e no Paraná na década de 1950.

Na internet circulam várias versões sobre o ‘descobrimento da coxinha’. Reza a lenda que o salgado nasceu no século 19, na fazenda Morro Azul, onde a princesa Isabel e o Conde d’Eu mantinham um filho com deficiência mental, que se recusava a comer qualquer coisa além de coxas de galinha fritas. Um belo dia, sem aves à disposição, a cozinheira aflita, teria inventado o quitute a partir de sobras, desfiando o frango e criando uma massa com farinha de trigo, tentativa de enrolar o patrão. A criança aprovou o resultado com louvor e rapidamente o salgado caiu nas graças também da nobreza.

Com tantas inovações gastronômicas houve a necessidade de recriar a receita original da coxinha, sem que fosse descaracterizado o sabor peculiar da iguaria. Assim, o prato alçou vôo para as mesas mais sofisticadas e é servido de todas as formas: salgado ou doce; como petisco ou refeição principal.

A tradicional coxinha com catupiry da Assággio Bistrô-Café e Padaria é reconhecida em toda a cidade. São oferecidas no local diversas opções de coxinha de frango, de frango com catupiry, de salmão, de pernil, brócolis com tomate seco, espinafre, de batata doce recheada com frango, carne seca com catupiry, a fitness (massa de batata doce assada) e também a de nutella, todas fritas na hora. “Nossa massa é a base de trigo e leite porém bem macia, faz lembrar a massa de batata. O processo nunca mudou, é o mesmo processo artesanal de sempre, isso influencia muito o sabor final. Hoje em dia, com a modernidade, surgiram as máquinas industriais de fazer coxinha, mas optamos por manter a simplicidade, a originalidade, esse é o nosso maior segredo”, revelou a gerente Kátia Abel Soares, que trabalha na Assággio há 11 anos.

A massa da coxinha de salmão é a tradicional. “O salmão vai desfiado e bem temperadinho dentro da coxinha. A tradicional é recheada com frango com ou sem catupiry, é a favorita. Já a de nutella, a massa é doce, um pouquinho menor e assemelha-se muito à uma massa de churros”, descreveu Kátia.

A Lebi Gastronomia oferece mais de dez opções de coxinhas feitas com massa de batata asterix, uma batata com casca rosa escura e bem grossa. De acordo com o sócio-proprietário da casa, Leandro Oliveira Gomes da Silva, os recheios agradam à todos os tipos de paladares. “Feitas com a massa de batata nossas coxinhas acompanham dez tipo de recheios. São eles: de frango, frango com catupiry original, frango, catupiry e bacon, bacalhau, palmito, brócolis, cogumelos, carne seca com catupiry, costelinha suína com barbecue, e árabe”, explica Silva.

A opção de coxinha de costelinha é preparada com costelinha suína desfiada. “Quando a costelinha está quase pronta desfiamos ela e acrescentamos um toque suave do molho barbecue. A massa é feita com mandioquinha, leite e gordura vegetal, temperada com pimenta sal e alecrim para marinar”, explicou Silva.

A casa oferece também opções veganas. “Temos os recheios de palmito, brócolis e cogumelos, feita com um mix de shitake, shimeji e paris com castanhas e não acompanham nenhum tipo de derivados animais”, ressaltou o proprietário da Lebi.

A coxinha de carne seca com catupiry é feita com massa de abóbora cabotiá e não contém leite. A coxinha árabe é composta por uma massa de kibe recheado com queijo em formato de coxinha. “Hoje em dia a coxinha é o nosso carro-chefe, todos que provaram, aprovaram”, salientou.

SERVIÇO: Assaggio Bistrô Café e Padaria (rua Boa Morte, 2129, Centro). Informações: (19) 3422-3433. Lebi Gastronomia (rua Regente Feijó, 531, Centro). Informações: (19) 3422-6424.

(Raquel Soares)