A crise e as goiabas

A crise político-econômica afeta os negócios? Claro que sim, mas tudo depende de como você lida com ela. Os momentos difíceis do mercado podem ser superados com criatividade, descobrindo novas maneiras de vender.

Em todos os ramos comerciais que pesquisei e já atuei, percebi que as crises costumam reduzir as vendas, no geral, em torno de 20% a 40%, mas culpá-las pelo mau resultado não inverte a situação.

Suponha que seu mercado venda em torno de oito milhões de reais por ano e que a crise tenha diminuído esse valor para cinco milhões. Ruim, não? Depende. Se você pensar que muitos de seus concorrentes acabam quebrando ou desistindo por falta de habilidade deles mesmos, a competição vai ficar menor. É muito melhor disputar clientes com seis concorrentes do que com doze.

O empresário que tem um negócio local e fica se preocupando ao extremo com o mercado global, deixando de estudar melhoras para o próprio empreendimento, não progride. Vejo gente sem atitude alguma porque acha que a crise vai acabar com toda e qualquer possibilidade comercial. Ficar parado enquanto o mundo gira não faz as vendas evoluírem. É preciso ter atitude, buscar alternativas para se destacar, criar um novo plano de mídia, investir no treinamento da equipe de colaboradores e oferecer melhores preços e condições.

Quem quer alavancar os negócios não pode sentar e esperar que a situação melhore por si mesma. É por isso que eu digo que a crise é mais mental que real. Tem empresário que ouve falar disso e não faz mais nada porque “a crise não deixa”. Ele senta e chora e ainda corta publicidade, segura o dinheiro, dispensa funcionários importantes, age com mediocridade. Qualquer notícia ruim aniquila o cérebro dessas pessoas e faz com que lamentem sem fim, sem criar oportunidades para mudanças positivas.

Vendedores que não se preparam para atuar com a qualidade necessária no atendimento ao cliente e, consequentemente, perdem a venda, preferem culpar a crise que reconhecer que precisam melhorar o desemprenho profissional.

Costumo praticar corrida na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. O campus da faculdade é enorme e tem muitas árvores. Uma vez, quando estava com um amigo no local, ele viu uma goiabeira e, com um sorriso, me fez um convite: “Vamos comer umas goiabas?”

Mas a alegria do início logo foi substituída pela decepção. Bichos e mais bichos apareciam a cada fruta aberta. Misturando tristeza com humor, meu amigo disse uma pérola: “É, parece que a crise atingiu até as goiabas!”

A risada foi inevitável, mas, de repente, fiquei pensativo. O que ele disse, na verdade, não era engraçado. Era algo muito sério. Então, respondi: “Não, a crise não está na goiaba! Está na sua cabeça! Goiaba tem bichos desde que a gente era criança, não é?”

Quando alegamos que nossos resultados não são muito bons por causa da crise ou de qualquer outro fator, nos acostumamos com essa situação, fazendo apenas o que se espera de nós e, então, acabamos não progredindo.

Enquanto isso, outras pessoas que preferem buscar e aproveitar “as partes não bichadas da fruta” analisam o mercado de forma positiva, procurando atender com excelência o maior responsável pela sobrevivência de um negócio: o cliente. Essas são as pessoas que crescem em meio a toda e qualquer crise que sempre existiu.