A decisão de ser o seu próprio chefe

Um dos maiores passos na vida de qualquer profissional é, sem dúvidas, a decisão de se tornar seu próprio chefe com a abertura de um negócio próprio. Um dos caminhos buscados para a formalização, quando se tem um campo de atuação definido, é a abertura de um cadastro jurídico para MEI (Microempreededor Individual), fácil de ser feito no Portal do Empreendedor (www.portaldoempreendedor.gov.br) pela internet e no conforto do lar. A partir daí é que as dificuldades começam.

Segundo Mauro Fontes, consultor de empreendedorismo e CEO da Contabilivre – startup voltada para o atendimento a micro e pequena empresas – algumas das maiores dificuldades enfrentadas pelo microempreendedor estão no controle financeiro e organização da empresa. “As principais dificuldades são a falta de familiaridade do empresário com as finanças, além da falta do hábito de manter um controle financeiro periódico, seja ele semanal, quinzenal ou mensal”, explica o especialista. “Outro grande problema está em o empreendedor misturar as contas pessoais com as contas da empresa”.

Profissionais de contabilidade e administração podem ser grandes aliados para fazer com que a microempresa se mantenha controlada e ande nos eixos, principalmente nos primeiros meses de existência, que geralmente são os mais complicados e nos quais a empresa não consegue se manter apenas com os lucros gerados por si mesma. Esses profissionais, nas pequenas empresas, geralmente são terceirizados e pagos em forma de mensalidade.

Outra opção que pode ajudar no controle das finanças é a tecnologia, com programas desenvolvidos para facilitar a visualização dos gastos e que fornecem relatórios de lucratividade. Mas Fontes alerta para a necessidade de conhecer muito bem o programa utilizado. “Tecnologia deve sempre atuar com o objetivo de tornar os processos mais simples, mais rápidos ou mais confiáveis. Se não trouxer nenhum desses benefícios, então ela pode ser descartada. O empresário deve analisar as opções disponíveis e avaliar o custo-benefício de adotá-las na empresa”, ressalta. “Uma dica: tecnologia precisa sempre simplificar. Se for complexo, melhor não adotar”.

Mauro ainda ensina que o empreendedor deve focar, além das finanças, no marketing da empresa. É preciso ser vista para ser lembrada. O empresário não deve gastar esforço e tempo nas atividades produtivas do negócio, e para isso profissionais capacitados devem ser contratados para que os processos funcionais da empresa fluam sem que seja necessária a intervenção contínua do proprietário.

A CRISE DO BRASIL

Não é novidade para ninguém que o Brasil enfrentou, nos últimos anos, uma forte crise financeira e, apesar de um pequeno alívio nos últimos meses, a instabilidade econômica do mercado pode assustar os novos empreendedores ou quem está pensando na possibilidade de deixar o emprego para abrir sua própria empresa.

Apesar de todos esses empecilhos, Fontes garante que a MEI é uma boa opção para quem toma coragem de empreender no cenário brasileiro atual. “A MEI é uma ótima oportunidade para o empreendedor se formalizar em um negócio quase sem custos e com pouquíssima burocracia. Além disso, a MEI possui uma carga tributária muito baixa, de apenas cerca de R$50 ao mês. Entretanto, só isso não garante o sucesso financeiro”, afirma ele. “O sucesso financeiro passa pela experiência do empreendedor no ramo de negócio em que está entrando e por uma educação financeira adequada para que a empresa não fique sem dinheiro ou venha até a se endividar”.

 

Mariana Requena