A força da suavidade

Ao invés dos gritos e dos berros, a calma da resposta branda e paciente que educa e conscientiza. Ao invés da impaciência tão prejudicial para ser entendida, a benção da palavra carinhosa repleta de amor que desarma e desanima quem quer continuar agredindo ou insultando. Ao invés da ameaça ou do desrespeito que explode e amedronta, a doçura que aniquila a dureza da expressão de querer brigar ou “partir para a briga”, como se costuma dizer… Ao invés da violência, da raiva e do ódio incontido ou descontrolado, a calma que sugere a inutilidade da agressão e abre as portas para a compreensão e a delicadeza entre os conviventes e sobreviventes desse nosso mundo que implora a todo o instante, boas atitudes e clama pelas virtudes que abrandam o bom senso e os sentimentos e afloram o poder incrível que vem da emoção que jamais poderá deixar de prevalecer.
 
Essa é à força da suavidade que, mesmo mal usada ou esquecida nas volúpias desorientadas pelas quais passam o pobre homem moderno, ainda assim precisam ser lembradas e cultivadas em favor, sobretudo da saúde do próprio ser humano que se estressa, se prejudica e se animaliza diante de fatos e assuntos que, com maior lucidez e discernimento, encontrarão saídas que não prejudicarão nem destruirão tanto também, pois todos sabem que existem palavras e gestos que ferem a tal ponto, que não haverá mais jeito de retornar. Então, aí entra a força de ser mais suave e mais terno, menos brusco e agressivo, de ser mais razoável e sem palavras ferinas e irretornáveis! Afinal, somos seres racionais e essa racionalidade nos chama à reflexão de respeito e de justiça que precisam ser aplicados e multiplicados a cada dia que passa e a cada instante que vivemos aqui.
 
A docilidade que é sinônima de suavidade, além de provocar alegria a quem recebe, ainda proporciona uma leveza agradável que faz sorrir dando vontade de permanecer junto sem pressa na despedida, abraçar forte e prolongadamente, alongando e alegrando a Vida e provocando sorrisos e agradecimentos lembrando que “quem agradece reza duas vezes…”. Ser suave é, por assim dizer, milagroso, que incita e convence a achar que viver vale a pena!
 
A verdade é que a suavidade leva a caminhos mais leves e a contatos raros de prazer e felicidade. Para que, então, os maus humores, as caras feias e sisudas, as desavenças e os xingamentos chulos, principalmente entre pais, filhos, familiares ou amigos? 
 
Cultivar a suavidade em todo lugar e em todas as ocasiões possíveis é uma força para se convencer de que tudo passa tão depressa, e nós só temos este momento, este “agora”, pois, nem sabemos se estaremos aqui amanhã!
 
Maria Helena Corazza é escritora e ex-presidente da Academia Piracicabana de Letras.