A força das pequenas empresas

A Fecomercio-SP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo ) divulgou ontem uma pesquisa que mostra que os pequenos comércios (com até quatro funcionários) lideram a geração de empregos formais no varejo, com carteira assinada, em Piracicaba. Esse levantamento reforça o que se sabe há décadas. A divulgação foi feita ontem pelo Sincomércio (Sindicato do Comércio Varejista) de Piracicaba. O ponto de partida foi o Caged (Cadastro Geral de Empregos e Desempregados) do Ministério do Trabalho e Emprego.
 
Reportagem de Felipe Poleti, nesta edição, mostra que esses estabelecimentos contrataram 2.199 pessoas de 2015 a 2017. Nos dois primeiros meses deste ano foram admitidas 66 pessoas. Enquanto isso, em 2015 e 2016, o setor como um todo eliminou 1.577 empregos celetistas, enquanto os pequenos criaram 940 postos de trabalho. Ano passado, os pequenos criaram 1.259 vagas. 
 
Tem uma série de explicações ‘para esse desempenho. O assessor de economia da Fecomércio, Fábi Pina, disse que estabelecimentos pequenos sofreram menos com a crise econômica, por terem menor capacidade de sobreviver em caso de corte de funcionários. Também disse que houve aumento do número de micro e pequenas empresas, que nasceram como alternativas para trabalhadores que foram demitidos. Para se ter noção da importância desse segmento, 98% do comércio varejista emprega até 10 empregados, ou seja, mais da metade dos empregos do setor, e representam um terço do PIB (Produto Interno Bruto) do varejo nacional. 
 
Esse levantamento demonstra quer os pequenos comércios varejistas têm um potencial gigantesco para gerar empregos. E, portanto, devem estar no radar do governo para concessão de incentivos fiscais e creditícios para ampliarem seus estabelecimentos. Nas últimas décadas, passaram a ser vistos com outros olhos, por causa de seu potencial de empregabilidade, mas ainda falta muito para a valorização desse segmento. 
 
Aliás essa pesquisa vai de encontro às propostas da nova diretoria do Sincomércio de qualificar a mão de obra do setor. Somente com inovação e conhecimento esse segmento do comércio varejista terá condições de sobreviver e – melhor – de crescer e contratar mais funcionários. 
 
Fica bem claro que esse segmento não pode ser desprezado pelo poder público. Pelo contrário, deve ser olhado com muita atenção para que esse cresça e continue a manter e até mesmo aumentar esses empregos formais. A união da classe também é muito importante para que, mesmo sendo pequenos, esses estabelecimentos tenham voz. (Claudete Campos)