A GRANDE MAGIA DO CIRCO CONTINUA

Maria Helena Aguiar Corazza

Por incrível que pareça, ainda nesses tempos, o Circo traz o mesmo encantamento dos dias antigos quando nossos pais nos levavam para assistir o espetáculo entre outras atrações principalmente os palhaços, engraçados e barulhentos que arrancavam gargalhadas inocentes que hoje com as grandes tecnologias e recursos modernos não trazem mais aquela diversão sadia de antigamente. Sinal dos tempos, mas com o pesar de deixar no passado a ingenuidade que os jovens de agora não conseguem imaginar, uma alegria que se concretizava entre o amendoim torrado, a pipoca quentinha e, ‘olha o baleirooooo‘ que os vendedores ofereciam nas guloseimas nos intervalos entre risos e um bater de palmas que aceitava aquele modo infantil de ver e sentir as travessuras que agora já não se traduzem como algo puro e essencial ao divertimento simples da criançada moderna.

Daí a importância da arte na 11ª edição do Festival Paulista de Circo, numa homenagem aos ‘Reis da Gargalhada‘ que vem acontecendo há sete anos em nossa cidade com grande publico e, este ano com mais de sessenta mil pessoas nos dias cinco a nove de setembro entre outras atrações, com apresentações de palhaços antigos já envelhecidos ou retirados de suas funções, mas numa atuação comovente. O idealizador e diretor do espetáculo foi o ator Jairo de Matos (de São Paulo), com texto de Claudia Maria de Vasconcelos apresentado ao público presente pelo mestre de cerimônias no Parque do Engenho Central e em outros bairros vizinhos, com realização da Secretaria de Cultura do Estado e correalização da SemacTur cuja titular é a secretária Rosangela Camolesi.

Pelo curto espaço resumimos as lindas histórias dos palhaços, como de Pingolé cujo nome é Gilmar Pedro Querubim que era um pacato bancário que se apaixonou pelo circo e nunca mais o abandonou e que substituiu o palhaço Chumbrega quando este se machucou; Chispita, Manoel de Astorga que aos seis anos já estava no picadeiro fazendo palhaçadas lá em Santiago do Chile no circo da família e já fez de tudo no circo; Romiseta, Agostinho Blask é a quinta geração de uma família tradicional de circo, ator de peças memoráveis como Marcelino Pão e vinho entre outras; Xuxu, Francisco Alves Monteiro da 6.a geração das tradicionais Famílias Alves Monteiro, fez de tudo também, domador, acrobata, rodou no Globo da morte, ultimo parceiro de Piolim e também trabalhou com o amado Arrelia; Chiclete, Aridelson Pinto de Oliveira cresceu no circo era contorcionista, acrobata e ator, tinha uma namorada quando fazia o exército no Rio de Janeiro e não desgrudava dela, daí o apelido de ‘chiclete‘, que ficou… E, muito mais de histórias lindas e produtivas desses heróis do riso que ajudaram a fazer sorrir crianças e adultos nesse universo de divertir e alegrar a Vida e aquecer os corações com momentos de rara felicidade e emoção.

Os cumprimentos e agradecimentos, a todos que atuaram e cooperaram em mais esta edição da ‘Arte do Circo‘.

(M. Helena Corazza é escritora e ex-presidente da Academia Piracicabana de Letras).