A importância das Barragens de Pedreira e Duas Pontes para a segurança hídrica das Bacias PCJ

Barjas Negri e Luiz Roberto Moretti

As Bacias PCJ possuem pouco mais de 15.000 km2, com uma população estimada acima de 5,5 milhões de habitantes, um expressivo parque industrial e uma agricultura diversificada com cana-de-açúcar, pastagens e culturas irrigadas como flores e morangos. Assim sendo, não é preciso muita abstração para que se tenha a noção da enorme demanda e consumo hídrico na região, seja para fins domésticos, seja para uso industrial ou agrícola.

Historicamente, com algumas poucas exceções, as cidades nas Bacias PCJ são abastecidas com água por meio de captações instaladas nas margens dos nossos rios. Entre elas, cidades ricas e industriais, como Americana, Campinas, Limeira, Piracicaba e Rio Claro. Isso mostra que, em linhas gerais, nossos municípios não possuem reservas controláveis de água para seu abastecimento, cuja disponibilidade está, cada vez mais, sujeita às variações de consumo e intempéries climáticas. Sendo assim, a questão preponderante é: hoje, nossa infraestrutura hídrica não expande na mesma proporção e velocidade do crescimento populacional (e sua consequente demanda). Isso, se considerarmos um cenário normal.

A crise hídrica de 2014, no entanto, nos expôs outro grave problema: em situações extremas, tanto nossa economia, quanto o bem-estar e as atividades do dia a dia das pessoas ficarão extremamente prejudicadas se não houver ações efetivas para assegurar a otimização do abastecimento hídrico em longo prazo. Como fazer isso?

Essa resposta vem dominando as discussões e ações dos Comitês das Bacias PCJ, criado em 1993. Não há caminhos fáceis; a segurança hídrica nas Bacias PCJ é assunto extremamente crítico e complexo. Garantir água em quantidade e qualidade adequadas nas Bacias PCJ para esta e as futuras gerações envolve ações diversas e grandes investimentos na coleta integral e no tratamento dos esgotos urbanos e industriais, no controle do desperdício e das perdas de água nas redes públicas de distribuição de água tratada, no reflorestamento de áreas marginais e nascentes de cursos d’água, na proteção contra a contaminação e a superexploração das águas subterrâneas, na correta utilização da água na irrigação de culturas e nos diversos usos rurais e no aumento da oferta hídrica, entre outros.

E, claro, transformar projetos em ações envolve metas claras e os comitês têm buscado incessantemente planejar e cumprir metas em relação aos temas acima mencionados, visando, fundamentalmente, alcançar níveis satisfatórios de segurança hídrica nas Bacias PCJ, e, com isso, garantir o desenvolvimento sustentável na região.

Destaca-se aqui, ainda, o gigantesco esforço que vem sendo desempenhado pelos Comitês PCJ em relação ao aumento de oferta hídrica.

Contudo, a tarefa não se encerra com as construções das barragens. Novos estudos e esforços para obtenção de recursos financeiros serão necessários para se definir o sistema de distribuição das águas desses reservatórios e sua operação. É o próximo passo. Um de cada vez e cada um a seu tempo. Problemas complexos exigem soluções igualmente complexas. Esse é o próximo desafio, junto com a tarefa de acompanhar a construção das duas barragens. Por isso, é necessário que todos nós nos unamos, seja para praticarmos pequenos gestos, como fechar uma torneira e plantar uma árvore, ou para apoiarmos ações maiores, como a construção dessas duas barragens – que certamente representarão a garantia de um futuro melhor para os moradores das Bacias PCJ.

(*) É prefeito de Piracicaba e presidente dos Comitês PCJ

(**) É diretor da Bacia do Médio Tietê do DAEE e secretário-executivo dos Comitês PCJ