A praça é do povo?

Piracicaba é privilegiada pelos seus vários cartões-postais, apreciados não apenas por seus moradores. O próprio rio, beleza máxima, o Museu da Água, Engenho Central, a rua do Porto, Esalq, entre outros tantos. Mas o que poderia ser mais um ponto de circulação de turistas — e de vivência dos seus munícipes — está sendo conhecido cada vez mais como um espaço abandonado. Trata-se da praça José Bonifácio.
 
A proliferação das fezes de pombos é um problema que foi abordado várias vezes. Foram incontáveis as tentativas para afugentar as aves, entre as quais a de 2014, quando houve a instalação de refletores com luzes amarelas na esperança de que a radiação solar provocasse suas migrações. Só que as aves aqui ficaram.
 
A preocupação com a sujeira dos pombos não é apenas estética, pois os animais podem transmitir doenças. Há de se lembrar que na praça há um playground.
 
Se a sujeira fosse o único problema, vamos lá. O coreto, por exemplo, tornou-se moradia da população em situação de rua, que utiliza as fontes de água na lateral para tomar banho.
 
Estacionar nos bolsões instalados na praça é outro problema — em qualquer dia da semana. É praticamente impossível não receber uma abordagem intimidadora dos vários “flanelinhas”.
 
Nesta terça-feira, o JP traz novamente a discussão sobre a limpeza da praça, a partir das considerações do vereador Lair Braga, radialista desde a década de 80 e que tem a praça como paisagem da sacada de seu “escritório de trabalho”. Foram inúmeras vezes, durante as reuniões ordinárias da Câmara, que o parlamentar utilizou a tribuna para cobrar melhorias — e elas parecem estar cada vez mais distantes de se tornarem concretas.
 
Em Piracicaba, é preciso uma adaptação drástica para os versos de Castro Alves. Em vez de “a praça é do povo, como o céu é do condor”, devemos dizer “a praça não é do povo, e o céu é dos pombos”.