A remoção da palha de cana-de-açúcar poderá dobrar a demanda de fertilizantes no Brasil em 2050

Estudo desenvolvido na Esalq destaca o papel da palha como fonte de nutrientes e propõe retirada criteriosa. (foto: Amanda Vieira/JP)

Uma pesquisa publicada este mês, na Bioenergy Research, alerta que a remoção dos resíduos culturais (palha) da cana-de-açúcar para produção de bioenergia (eletricidade ou etanol de segunda geração) pode impactar a demanda de fertilizantes do país. Com 10 milhões de hectares, o Brasil é responsável por cerca de 40% da produção global de cana-de-açúcar o aproveitamento da palha de cana-de-açúcar como matéria prima à indústria tem se destacado como uma estratégia promissora para aumentar a produção de bioenergia e a lucratividade do setor.

No entanto, a palha tem um papel muito importante para sustentar diversas funções do solo e serviços ecossistêmicos associados, incluindo ciclagem de nutrientes e produtividade das culturas”, lembra Maurício Cherubin, professor do Departamento de Ciência do Solo, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), autor do estudo realizado em colaboração com outros docentes e estudantes.

Cherubin reforça que a quantidade de nutrientes exportados via palha deve ser quantificada e adequadamente restituída via fertilizantes para evitar a degradação da fertilidade do solo e consequentemente, os impactos negativos na produtividade das plantas ao longo do tempo. “Neste contexto, conduzimos um estudo sobre remoção de palha de cana-de-açúcar e estimar os impactos na demanda de fertilizante na região Centro Sul do Brasil, que concentra 92% da produção nacional ”.

A análise dos cenários indicou que o consumo de fertilizantes na região Centro Sul do Brasil tem aumentado na taxa de 46,5 mil toneladas por ano nos últimos 30 anos, totalizando 1,75 milhão de toneladas em 2016, o que representa 11,6% do consumo total de fertilizantes no país.

De acordo com a pesquisa, se for mantida essa tendência, as projeções indicaram que o consumo de fertilizantes pela cana-de-açúcar crescerá cerca de 80% em 2050, mesmo sem remoção de palha. “No entanto, se os nutrientes exportados via palha forem corretamente repostos, este consumo em 2050 será muito maior, representando incremento adicional de 14 e 28% nos cenários de remoção menos intensivos”, pondera Cherubin.

Por outro lado, a adoção do cenário mais drástico (remoção total – S5), poderá duplicar a demanda de fertilizante NPK em 2050 na região Centro Sul do Brasil, comparado com o manejo sem remoção.

Da Redação