A Unimep, de novo

Em meados de dezembro do ano passado, o Jornal de Piracicaba publicou na seção Persona uma entrevista com o reitor da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba). Na ocasião, Fábio Botelho Josgrilbe declarou que sua missão no cargo, assumido em agosto, era a de buscar soluções para a crise na instituição e, além disso, estabelecer a confiança e o diálogo com a comunidade acadêmica, leia-se professores, funcionários e alunos.
 
Naquela mesma semana, poucos dias antes da entrevista, o JP estampou a informação sobre o desligamento de 14 funcionários do Colégio Piracicabano. Antes mesmo do ano de 2017 findar, mais demissões noticiadas: aproximadamente 20, nos campi Taquaral e Santa Bárbara d‘Oeste. Número que, por ora, chega a 60.
 
Desde então, outros ocorrências negativas, como a demora de até 5 horas para atendimento de estudantes na secretaria do campus Taquaral, que precisaram retirar a segunda via de boleto ou certidão de matrícula.
 
Hoje, novamente, a Unimep volta a ser notícia neste matutino. Ou melhor: as demissões promovidas pela universidade. Desta vez, uma notícia que até pode ser comemorada, como avaliou Conceição Fornasari, secretária geral do Sinpro, sindicato que representa os professores. 
 
É que a 2ª Vara do Trabalho de Piracicaba determinou a reintegração do corpo docente dispensado. Ainda que caiba recurso — e não se sabe se haverá, pois a universidade não respondeu aos questionamentos da reportagem — o descumprimento da medida pode acarretar em multa de R$ 1.000 por dia, multiplicado pelo número de docentes dispensados.
 
Ao proferir a decisão, a juíza Bruna Müller Stravinsky destaca que a demissão em massa — um fato coletivo — traz danos à sociedade e afeta os âmbitos econômicos, social e até de ensino da Unimep. 
 
Quando o reitor recebeu a reportagem do JP, em dezembro, disse estar aberto ao diálogo. Não é o que tem demonstrado, desde então, a Rede Metodista, com as frequentes respostas em branco aos questionamentos da reportagem. Tem sido desta forma, pelo que nos chega, o tratamento com a comunidade acadêmica.
 
Ainda que a justificativa tenha sido o enxugamento de até 15% da folha de pagamento, nomes que são referência em ensino na região foram desligados do dia para a noite. Os que ficaram, receberam com atraso o 13º salário. Há relatos de cursos com baixa procura de matrículas. 
 
É inegável a crise instaurada na Unimep e ela vai muito além do aspecto institucional. Diz respeito à cidade. Resta saber, agora, quando o diálogo virá, pois os impactos estão custando bem caros.