Abafadores de panela

A energia que o profissional coloca na venda deve ser positiva e estimulante na medida certa. Sempre alerto minha equipe para ter cuidado com os “abafadores de panela”. Conhece esse tipo de pessoa? Sabe quando o vapor está saindo da panela e aparece alguém para tampar? É isso que o “abafador” faz com o contentamento dos outros. Ele não deixa que o “aroma” da sua alegria se espalhe, não admite ficar por baixo de jeito nenhum e sempre encontra uma maneira de dizer que é melhor que você. Não entre nesse jogo. Ignore-o.

A pior situação é quando o “abafador de panela” lida com o consumidor. Tudo o que o cliente afirma, ele rebate “por cima”, para mostrar que é superior. O problema é que desta maneira está assassinando as próprias vendas, porque cliente nenhum gosta de ser humilhado ou desmerecido. Aliás, existe alguém que gosta?

Já o profissional “negativo” é o oposto do “abafador”, porque para ele tudo está sempre ruim. Com a negatividade, vai minando o ânimo da equipe e, claro, dos clientes.

Outras categorias de vendedor são o raio e a chuva. E comento sobre eles numa história bem interessante. Imagine que a chuva está se formando. O vendedor “chuva” vai até a porta da loja e diz: – Que chuva abençoada! Que dia maravilhoso!

Já o vendedor “raio”, por sua vez, vem logo atrás, e pensa de modo bem diferente. – Nossa, que toró! Tá dando raio. Será que vai acabar a energia e a gente vai embora pra casa mais cedo?

Eu me pergunto: Que raio de vendedor é esse?

Conheci muitos profissionais assim, que tendem para o negativismo, independente do momento, o que é muito perigoso. Porque, além de um vício, é uma crença limitante. E, se a liderança permitir, contamina os demais colaboradores da empresa.

O escritor Augusto Cury tem uma frase interessante sobre o assunto: “Os perdedores veem os raios. Os vencedores veem a chuva e, com ela, a oportunidade de cultivar”.

Vendedor raio fica o dia inteiro atrás de notícia ruim. Na pausa para um café, não perde a oportunidade de descobrir dificuldades novas do vizinho, para falar sobre elas também. Em resumo: ele não vende e ainda tira, em doses homeopáticas, toda a determinação e atitude positiva dos outros funcionários. Ele é a “laranja podre” da caixa e vai apodrecendo as demais.

Lembre-se: venda é energia. Se você é um profissional da área de vendas, então sua energia tem de ser positiva, na medida certa, de modo a estimular você a não só alcançar suas metas, mas também ultrapassá-las. Caso contrário, todo o seu esforço terá sido em vão.

Por isso, a melhor maneira de não cair na armadilha dos “abafadores de panela” é cultivar a autoestima. É ela que define a venda. Claro que no seu dia a dia como vendedor, você provavelmente cuida da sua aparência física, tentando, por exemplo, se vestir adequadamente para o ambiente de trabalho. Porém, tão importante quanto isso é ter sempre a autoestima em ordem. E o primeiro passo para tê-la é gostar do que faz. O cliente percebe quando o vendedor trabalha com prazer ou não, por isso nada de desânimo se o dia não foi como esperava. Por outro lado, evite se vangloriar caso tenha sido melhor que o previsto. Bexiga murcha não tem graça, mas estoura se encher demais.