Abertura nos feriados volta a criar polêmica no comércio em Piracicaba

Sem acordo na campanha salarial, iniciada em setembro, categoria não vai trabalhar nos feriados. (Foto: Amanda Vieira/JP)

A abertura do comércio de Piracicaba aos feriados volta a criar polêmica entre as entidades ligadas ao setor. Ontem, o Sindicato dos Empregados no Comércio de Piracicaba divulgou a informação de que as negociações da campanha salarial dos empregados no comércio de Piracicaba não avançam e a abertura do comércio da cidade nos próximos feriados está comprometida, não havendo nenhum acordo neste sentido.

A informação foi divulgada pela assessoria de imprensa da entidade e atribuída ao presidente, Vitor Previde. Segundo o sindicalista, há cerca de dois meses ocorre a negociação da campanha salarial da categoria sem um acordo, apesar de a data-base da categoria ser em 1º de setembro.



Os comerciários, que somam cerca de sete mil na base do sindicato local, reivindicam a reposição da inflação e aumento real de 5% nos salários, além da cesta básica de alimentos e manutenção das conquistas históricas, como uma compensação no trabalho em feriados.

De acordo com Previde, nas cinco rodadas realizadas até o momento, o setor patronal propôs apenas a reposição da inflação no período de primeiro de setembro do ano passado a 31 de agosto último, de 3,28%, com a retirada de direitos, como folga compensatória do trabalho em feriados, proposta que foi recusada.

O secretário-executivo do Sincomércio (Sindicato do Comércio Varejista de Piracicaba), Carlos Beltrame rechaçou as críticas de Previde. Segundo ele, dos 90 sindicatos no estado de São Paulo, apenas dez deles fecharam a pauta. Ele negou a que a entidade patronal queira tirar direitos dos trabalhadores e afirmou que está em fase de negociações. “Este é um discurso usado todo ano pelo sindicato (dos trabalhadores), a negociação não está fechada”, afirmou.

Beltrame lamentou que o sindicato dos trabalhadores condicione a abertura nos feriados aos avanços na negociação. Segundo ele, a proposta é do reajuste do 3,28% referente ao INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) no período, mais a manutenção dos direitos definidos na última convenção.

O que a entidade defende, segundo o secretário, é a desoneração dos feriados. Para ele, Piracicaba é a cidade que tem o feriado mais caro para os empresários. O trabalhador recebe 100% do dia trabalhado, mais um dia de folga e mais uma bonificação de até R$ 81. “O valor chega até R$ 200 por empregado por feriado, sem considerar o vale-transporte e os impostos”, afirmou Beltrame.

Beto Silva
[email protected]