Acesso das crianças às informações e tecnologias – Desafios atuais

O crescente e cada vez mais fácil acesso de crianças e jovens às informações pelas mídias digitais e seu compartilhamento pelas redes sociais têm se tornado imenso desafio a pais e educadores no sentido de controlar o acesso a tais meios, bem como de limitar o seu uso, a fim de se evitar a exposição excessiva ou precoce a fatores nocivos e a conteúdos potencialmente prejudiciais.

Parece sensato que o uso infantil de algumas das tecnologias disponíveis esteja subordinado à sua utilidade e conveniência, não podendo substituir a presença e o convívio saudável com pais, familiares e amigos, nem importantes atividades infantis, como brincadeiras com outras crianças, exercícios físicos, atividades ao ar livre e contato com a natureza.

Ao se refletir sobre as relações das crianças com os meios de comunicação, percebe-se que muitas são, desde cedo, condicionadas a um padrão consumista, incessantemente estimuladas a desejarem novos produtos, muitos dos quais supérfluos, desnecessários ou prejudiciais. Essa relação pervertida obviamente prejudica o desenvolvimento no futuro adulto de padrões de consumo responsável e sustentável, reflexos de uma consciência cidadã e ecológica, como seria desejável e saudável.

Outra questão relevante é a erotização precoce a que são submetidas as crianças, o que, além de privá-las da vivência plena de etapas essenciais da infância, que deveriam ser permeadas pela inocência, lhes introduz elementos de sexualidade não somente antecipada, mas distorcida e degradada.

Os meios de comunicação, quando inadequadamente utilizados, podem expor as crianças a muitos conteúdos inadequados. Evidentemente não se pode criá-las isoladas do meio em que vivem, mas também não se deve, de modo irresponsável, expô-las a estímulos impróprios ou perturbadores.

Nesse contexto, mostra-se da maior importância e atualidade o exemplo da conduta ética e íntegra dos pais, ao lado do cuidado para que possam ser desenvolvidos na criança, tão cedo quanto possível, os valores que comporão o seu caráter e que a acompanharão por toda a existência. Essa formação, além de uma correta educação formal, ajudarão a criança e o jovem a utilizar com proveito, equilíbrio e cuidado os inestimáveis recursos tecnológicos e o imenso acervo de informações atualmente disponíveis.

O uso das modernas tecnologias e o acesso que as crianças têm a elas – o que as coloca imersas em um mundo virtual sem fronteiras – parece ser um caminho sem volta, o que reforça a necessidade de que os adultos responsáveis evitem o contato precoce, excessivo ou inadequado delas com tais recursos, tendo o cuidado de selecionarem igualmente o teor daquilo que permitem que as crianças presenciem e experimentem.

Conciliar as facilidades das modernas tecnologias com os mais elevados princípios e valores; auxiliar o desenvolvimento e o desabrochar dos potenciais da criança ao mesmo tempo cuidando atentamente do desenvolvimento do seu caráter; estimular a natural curiosidade infantil para pesquisar e aprender, respeitando a imaturidade da criança: eis algumas questões que se apresentam a todos os que se interessam verdadeiramente pelo bem das crianças e por uma educação que possa contribuir para a expressão de suas potencialidades e o seu pleno desenvolvimento.