Acesso fácil a soro antipeçonhento pode salvar vidas

O número de acidentes com animais peçonhentos no Brasil me motivou a apresentar o Projeto de Lei 9552/2018, para facilitar o acesso aos soros antipeçonhentos, autorizando os hospitais particulares a administrarem a substância. A proposta tramita nas comissões da Câmara para apreciação conclusiva. Esses acidentes, especialmente com escorpiões, têm levado a óbito muitas pessoas, justamente pela demora do diagnóstico e pela falta de acesso ao soro específico em tempo hábil.

Apenas este ano, nove crianças morreram no interior do Estado de São Paulo em decorrência de picadas de escorpião. As mortes mais recentes, em novembro, foram de um menino, de 9 anos, em Araçatuba, e de uma menina, da mesma idade, em Bariri.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, somente no primeiro semestre de 2018, foram registrados 11,5 mil ataques de escorpião no Estado de São Paulo. No Brasil, o Ministério da Saúde registrou mais de 90 mil acidentes com escorpiões, de janeiro a setembro.

Temos conhecimento de que o Programa Nacional de Imunizações indica as unidades públicas encarregadas de administrar os soros para acidentes com serpentes, aranhas, lagartas e escorpiões. Entretanto, além da falta do próprio soro em alguns locais, muitas vezes, o acesso a estas unidades específicas não é possível, inclusive pela distância, o que ocorreu com algumas das crianças que acabaram morrendo.

Por isso, a importância de oferecer, como complemento à rede pública, a alternativa de buscar os soros em uma rede com maior capilaridade, ainda que de caráter privado. Com isso, queremos aumentar a chance de as vítimas encontrarem tratamento oportuno, o que poderá salvar inúmeras vidas. Lembrando que as pessoas que ficam mais fragilizadas com a picada são as crianças e idosos.

Destaco que o projeto de lei mantém a rede pública como a principal porta de acesso ao soro. Na região de Piracicaba, por exemplo, a Santa Casa de Piracicaba é o hospital de referência para o atendimento de pacientes vítimas de picadas de animais peçonhentos. De janeiro a meados de novembro deste ano, foram atendidos 167 casos de pessoas picadas por escorpião. Segundo dados do Ipplap (Instituto de Pesquisas e Planejamento de Piracicaba), em 2017 foram registrados 1.002 acidentes com escorpião no município.

A população também pode e deve colaborar para reduzir o número de acidentes. Os escorpiões aparecem principalmente no período de chuvas e de altas temperaturas. Costumam ficar em terrenos baldios, com mato e lixo, embaixo de pedras, pilhas de tijolos, muros, forros de madeira, locais com entulho. Por isso, é preciso manter a limpeza das casas e terrenos, colocar telas em ralos, remover folhagens, arbustos e trepadeiras junto às paredes externas e muros, entre outros cuidados. Em caso de picada, deve-se procurar imediatamente o atendimento médico. Acredito que, juntos, possamos modificar essa triste estatística.

(Antonio Carlos Mendes Thame)