Acompanhado se vai mais longe

“Se quiser ir rápido, vá só. Se quiser ir longe, vá acompanhado”

Vários ditados e frases antigas, alguns considerados verdadeiros clichês, nos dão lições claras sobre como devemos seguir a nossa jornada, seja ela pessoal ou profissional. É melhor seguirmos só ou acompanhado? As melhores decisões são aquelas que tomamos sós ou aquelas que tomamos junto com outras pessoas? É mais fácil mudar um hábito sozinho ou com alguém do lado? É mais fácil administrar a vida financeira sozinho ou acompanhado? É mais prazeroso viajar sozinho ou com alguém? Estas são questões que nos rodam todos os dias. Sempre (ou quase sempre) temos a opção de escolher se queremos ser mais individualistas ou mais sociais. Ambos os caminhos podem levar à realização e à felicidade, mas somente um deles pode nos levar mais longe.
Quando começamos a nossa trajetória profissional, cheios de energia, disposição e conhecimento fresco na cabeça, tendemos a achar que tudo está ao nosso alcance. Tendemos a acreditar que somos capazes de tudo e que podemos tudo. Parte dessa convicção vem da própria energia da juventude e parte vem da falácia do “eu posso tudo”.

Na minha carreira, principalmente quando comecei a ocupar cargos de gestão de equipes, onde o meu resultado dependia mais dos outros do que de mim, comecei a entender que “acompanhado se vai mais longe”. Sozinho vamos mais rápido, decidimos mais rápido, implementamos decisões de forma mais rápida e tudo, em geral, é mais imediato. Afinal, só depende de nós. Não precisamos ouvir ninguém, respeitar a velocidade de ninguém ou esperar por ninguém. Simplesmente vamos…

Invariavelmente logo percebemos que a velocidade não significa, no médio e longo prazos, mais e melhores resultados concretos e robustos. Logo percebemos que a velocidade não nos leva, com solidez, aonde queremos ir. E aí cai a ficha de que precisamos de apoio. Na verdade, percebemos que precisamos de pessoas ao nosso lado, de braços dados e nos apoiando e nos ajudando a tomar melhores decisões.

Essa verdade, que às vezes demoramos a entender e aceitar (e muitos sequer conseguem na vida inteira perceber), é reveladora. Por mais contra intuitiva que seja, porque se temos que levar outros conosco a viagem vai ficar mais demorada, ela mostra que a questão de velocidade é relativa. Quando estamos bem acompanhados na nossa jornada, mesmo que de forma mais lenta, chegamos mais rápido aos nossos objetivos maiores. Tem dúvidas? Então faça um exercício. Liste umas 10 pessoas que você tenha forte admiração pela carreira e pelas conquistas e vá ouvi-las. Pergunte como foi a trajetória. Pergunta que tipo de apoio (formal ou informal) ela teve de outras pessoas. Pergunte se ela acha que chegou aonde chegou sozinha ou não. Não tenho a menor dúvida de que você ouvirá de 90% (para ser modesto) que não chegariam aonde chegaram sem que essa jornada tenha sido dividida com outras pessoas.

Parece, repito, clichê ou filosofia barata, mas é a pura verdade. “Se quiser ir rápido, vá só. Se quiser ir longe, vá acompanhado”. Encontre as suas melhores companhias, na vida e na carreira, leve-as junto com você, hora te apoiando, hora sendo apoiadas por você. Se em algum momento você tiver que ir mais devagar para respeitar o limite de velocidade delas, espere. Isso não é perda de tempo. É inteligência. Até o próximo!

(Marcelo Veras)