Acumuladores compulsivos

É comum o transtorno acumulador se manifestar após eventos traumáticos, seja a morte do cônjuge, filhos, desemprego, diagnóstico de doenças graves, transtornos psíquicos ou por hereditariedade, ou ainda ter um acumulador como membro da família.

Os indivíduos que apresentam o transtorno se comportam de maneira semelhante às pessoas viciadas em jogos, álcool e drogas, só que acumulando ‘’coisas’’ com intuito de entorpecer suas emoções e ansiedade o que faz da acumulação um vício.

Os acumuladores compulsivos são indivíduos que apresentam uma grande dificuldade de descartar seus pertences, mesmo que não tenham nenhuma utilidade. Por esse motivo é comum que a casa e muitas vezes também o local de trabalho desses indivíduos tenham muitos objetos acumulados, impedindo a passagem e o uso de várias superfícies. Normalmente, os objetos acumulados são aleatórios e podem até ser encontrados no lixo.

Esses indivíduos não necessariamente precisam manter todos os objetos que acumulam porque amam aqueles objetos, eles os mantêm apenas para evitarem decidir o que fazer com tudo que acumulam por causa do medo extremo de tomar a decisão errada jogando fora ou doando seus pertences, por acharem que poderão precisar deles em algum momento de suas vidas.

Acumular coisas esta intimamente vinculado a questões emocionais, lutos que não foram elaborados promovendo dores intensas, sendo necessário entrar em contato com tais dores como um ponto de partida para início da mudança de comportamento do acumulador e da mudança do ambiente onde vive, geralmente a residência. Entrando em contato com a dor é possível viver o luto que, geralmente é retardado pela prática da acumulação, e para o suporte/amparo constante do indivíduo com a problemática é necessário tratamento e acompanhamento psicológico, com um profissional especializado.

Esse transtorno pode ser facilmente identificado pelos familiares ou amigos, porém a própria pessoa não consegue identificar que têm um problema e por isso não procura tratamento. Em alguns casos, quando o transtorno se apresenta de forma leve e não afeta as atividades diárias não é notado, assim também não sendo tratado. No entanto, se existir alguma suspeita é importante consultar um psicólogo para confirmar o diagnóstico.

Alguns sinais são quando o indivíduo deixa de convidar as demais pessoas de sua convivência para visitar sua casa. Mesmo quando se tratam de parentes próximos, os acumuladores sugerem que façam algum programa alheio a sua residência.

Outro indicativo é a negligência com a higiene no decorrer do tempo, como cuidados básicos em não pentear os cabelos, odores de mofo e urina nas roupas, faltar às consultas médicas e demais eventos sociais. Além de dificuldades para organizar seus objetos e pertences pessoais.

Os indivíduos que apresentam esse transtorno costumam apresentar uma alteração em seus comportamentos rotineiros como atrasar o pagamento das contas, deixam de priorizar os cuidados com a higiene, tornando os banhos esporádicos, a limpeza da casa e a manutenção deixam de ocorrer, as relações sociais são deixadas de lado e a situação toma grande dimensão, porque um comportamento desencadeia no outro e, assim, o atraso das contas levam a problemas financeiros, a falta de higiene pode promover problemas de saúde e a falta de socialização, promove a solidão podendo levar o indivíduo a depressão e ao isolamento.

Esses sintomas podem surgir ainda durante a infância, mas tem tendência a piorar na idade adulta, quando o indivíduo tem mais autonomia. Em alguns casos, o individuo que acumula excessivamente pode acumular animais, chegando a ter centenas de animais vivendo dentro de suas próprias casas sem a mínima condição.

O tratamento pode levar anos e requer muita dedicação à pessoa com o transtorno e profissionais da sua saúde mental envolvidos, sendo necessário avaliar o uso medicamentoso para auxiliar nesse processo. Quanto antes diagnosticar e iniciar o tratamento maior as possibilidades da recuperação.