Aedes, homens e violência: um case de (des) sucesso

A Secretaria de Saúde de Piracicaba divulgou números animadores sobre a dengue em Piracicaba: redução do número de casos da doença, de janeiro a setembro foram registrados 41 casos no ano passado e neste ano apenas 10, no mesmo período. Já os casos de zika subiram, mas apenas dois: de quatro em 2017 para seis neste ano. o resultado é mais que animador e vem seguindo a tendência dos últimos anos.

As ações de combate ao aedes aegypt continuam na cidade, porque esse é um inseto que poderia dar aulas de resiliência para muitos profissionais. Ele se adapta, começa novos negócios e trabalha em diversos ramos, sendo o transmissor da febre amarela, dengue, chikungunya, também pode transmitir o zika vírus. Ou seja, se fosse uma empresa seria grupo empresarial, com vários focos de atuação, um exemplo de atuação proativa que deveria virar case de administração e negócios. Na matéria de Beto Silva publicada na página de A 3, o leitor terá mais detalhes do trabalho preventivo que a prefeitura vem fazendo. Também é na prevenção que a Patrulha Maria da Penha vem trabalhando, mas o bicho que tenta coibir parece ser mais esperto ainda o que o aedes, é o homem, ser humano do sexo masculino que por alguma razão superior a nossa compreensão agride, machuca e ofende mulheres, que precisam buscar na Justiça medidas protetivas.

De janeiro a setembro, em média, o Fórum de Piracicaba expediu uma medida protetiva por dia e a Patrulha Maria da Penha realizou 6.057 rondas e seis prisões, ou seja, os guardas-civis protegeram mulheres em seus movimentos mais comuns, ir para escola, trabalhar e/ou ficar em casa. Por mais que o mosquito da dengue seja perigoso, duvido que seja tão mortal. É inadimissível que a violência contra a mulher continue nesse padrão, mas assim como a dengue a única forma de evitar esse avanço é combatendo a causa, a mentalidade distorcida que leva um homem a se sentir dono, proprietário de uma mulher e, mais, no direito de agredí-la. Nesta semana começa um evento de conscientização, que ficará no Terminal Central de Integração (TCI). Leia mais na matéria de Eliana Teixeira na página A 3 desta edição. A violência não é bonita e em agradável, não é educativa e nem limitada, a violência é a reação mais desumana que um humano pode ter, seja maltratando mulheres ou matando galinhas (leia na página A 4), com fizeram os vândalos que invadiram uma escola municipal e mataram as galinhas de um projeto pedagógico das crianças. Entendo que quem tem estômago para matar um animal indefeso na escala da violência interna de sua vida chegará, sim, um dia aos seres humanos: mulheres, crianças, idosos o quem estiver pela frente. Esse é um case que nem o aedes consegue vencer.

( Alessandra Morgado)