AHA doa mapoteca ao Centro do Humor Gráfico

A AHA (Associação dos Amigos do Salão Internacional de Humor de Piracicaba) doou ontem ao Cedhu (Centro Nacional de Pesquisa e Documentação do Humor Gráfico de Piracicaba) — órgão da SemacTur (Secretaria Municipal da Ação Cultural e Turismo) responsável pela realização do Salão Internacional de Humor de Piracicaba —, uma mapoteca, para que sejam guardados nela os trabalhos originais de arte gráfica que integram a história dos 44 anos da mostra.
 
 
Conforme Erasmo Spadotto, diretor do Salão, no móvel em aço serão armazenados 96 originais de cartuns, charges, caricaturas, tirinhas e quadrinhos confeccionados em papel canson com técnicas variadas — lápis de cor, tintas aquarela, acrílica, guache, aguada, nanquim, carvão, grafite, óleo —, premiados durante as edições da mostra.
 
 
“São obras ricas que merecem um cuidado especial para que resista com a ação do tempo, feitas por grandes autores como Paulo Caruso, Chico Caruso. Antigamente, antes mesmo do aparecimento da tecnologia, do advento da internet, os desenhos eram enviados do modo original. A mapoteca é a ferramenta perfeita para armazená-las, pois, com o passar dos anos e o ambiente úmido, próximo ao rio, as cores perdem a tonalidade vibrante, a tinta craquela, a cola solta. Hoje, recebemos os trabalhos em arquivos digitais e os selecionados são devolvidos aos artistas”, disse Spadotto, acrescentando que entre as obras a serem guardadas está uma de autoria da cartunista e chargista de São Paulo Laerte Coutinho, premiado em 1974.
 
 
Antes da mapoteca, os desenhos ficavam em pastas. Na mapoteca, avaliada em R$ 1.100, um papel próprio vai revestir todos os trabalhos, para que não encostem uns nos outros. “Fizemos na AHA um esforço muito grande no ano passado, com várias atividades, para arrecadar verba. Com o dinheiro que sobrou, fizemos um investimento para atender a demanda de 44 anos do Salão. Enfim, conseguimos. Compramos o móvel usado, pois um novo custaria R$ 5.000”, afirmou Adolpho Queiroz, presidente da associação.
 
 
“A AHA tem sido um braço importante para ações que precisamos, dialogando constantemente com o poder público. O acondicionamento profissional é um fator muito importante para a conservação das obras. O que temos feito é tentar preservá-las, resguardando toda a história”, comentou a titular da SemacTur, Rosângela Camolese.