Aids, ainda a aids

Na década de 1980, quando a mídia mundial começou divulgar uma nova doença mortal e assustadora, que foi chamada inicialmente de “Peste Gay”, muitas pessoas se sentiram livres desse mal porque tinham relações duradoras e fixas, eram casadas e heterossexuais. Boa parcela dos doentes era de homossexuais, que faziam sexo sem proteção e, teoricamente, tinham grande variedade de parceiros. Religiosos bradaram aos quatro ventos que a doença era uma punição divina pelo pecado. Tudo indicava que o ‘crime do sexo’ era castigado com a aids. Essa visão infantil e limitada, amém Senhor, foi esclarecida com o avanço da medicina, as pesquisas, os coqueteis de drogas – inicialmente com dezenas de efeitos colaterais – e, acima de tudo, com informação de qualidade.
O Brasil se tornou referência mundial quebrando as patentes dos medicamentos para fornecer remédios aos seus pacientes gratuitamente, com a criação e implantação de programas de prevenção, distribuição de preservativo e acompanhamento dos públicos de risco colocaram o país e, mais especificamente, Piracicaba na vanguarda do combate à aids. Neste momento devo elogiar o então ministro da Saúde, o tucano José Serra, que enfrentou as grandes empresas de medicamentos.

A doença ainda assusta e não tem cura, porém mesmo com todo avanço e campanhas de conscientização as pessoas ainda praticam sexo sem proteção, o que é o único pecado que a aids – não Deus – não perdoa. Na última década é na faixa de homens, com idade entre 19 e 32 anos, que a doença mais cresce. E mais, são homens que praticam sexo com outros homens.

Fica claro que a aids não tem religião e nem se restringe a esse ou aquele grupo. Não é o sexo, o gênero, a nacionalidade ou o time de futebol que definem os rumos da aids, mas as tendências de comportamento sexual, que parecem estar mudando ou somente ficando mais claras nas últimas décadas, além da infinita capacidade humana de achar que vai viver para sempre e, por isso, não necessita se proteger e não proteger a quem, teoricamente, se ama e/ou deveria amar e proteger. A quantidade de mulheres contaminadas por seus maridos demonstra bem isso.

A aids não vai desaparecer sem uma mudança no comportamento e no comprometimento com nossa saúde e de nossos parceiros, cônjuges ou seja lá o nome que dermos para nossos parceiros sexuais. Respeito, cuidado e canja de galinha ainda não fazem mal a ninguém!

(Alessandra Morgado)