Ala evangélica da Câmara ‘derruba’ homenagem a padre Edvaldo

A Câmara rejeitou anteontem o projeto que pretendia conceder Medalha de Mérito Legislativo ao padre Edvaldo de Paula Nascimento, que por 10 anos atuou como pároco e reitor no Santuário de Nossa Senhora dos Prazeres, no bairro Nova Piracicaba. Ao todo, 14 vereadores foram favoráveis, um contrário e oito estavam ausentes. Eram necessários dois terços para que a medida fosse aprovada, ou seja, não houve quórum suficiente. Dos oito parlamentares ausentes, seis são evangélicos, um protestante e outro católico.
 
De autoria do vereador Ronaldo Moschini (PPS), vice-presidente da Câmara, o projeto pretendia reconhecer o trabalho realizado pelo padre em Piracicaba. Edvaldo está desde janeiro em Rio Claro. Durante a votação, oito vereadores se ausentaram. Depois, eles retornaram para o plenário. Entre os ausentes, seis se declaram evangélicos: Aldisa Vieira Marques, o Paraná (PPS), Jonson Sarapu (PSDB), Marcos Abdala (PRB), Paulo Henrique Paranhos Ribeiro (PRB), Rerlison Rezende, o Relinho (PSDB), e Wagner Oliveira (PHS). Já Paulo Serra (PPS) é católico, enquanto Paulo Campos (PSD) é protestante.
 
Moschini criticou os colegas que não estavam presentes. “Os vereadores podiam votar não ou sim, mas permanecer no plenário desta Casa.”
 
Único vereador a votar contra, Laércio Trevisan Jr. (PR) disse que a Câmara deveria ter o termo ‘abstenção’. O pensamento também foi seguido por Ribeiro, que se manifestou após a definição. “Deve acrescentar o botão de abster-se. A gente não vai sair daqui, mas na hora que precisa se abster, a gente vai sair, porque a gente não quer votar”, disse Ribeiro. 
 
Em seguida, Relinho chegou a falar em uma “bancada evangélica”. “Cada vereador representa uma parcela da população, e essa união de tudo que faz a sociedade. Se a bancada evangélica quis votar, se não quis votar, quem vai julgar isso é a própria bancada evangélica”, ponderou. 
 
A reportagem do JP falou com os oito vereadores ontem, sendo que cinco dos evangélicos negaram que haja uma bancada evangélica formal na Casa, até mesmo Relinho. O único que não quis comentar o caso por telefone foi o vereador Paraná. Somente Ribeiro admitiu que não estava presente na votação porque queria se abster. Os demais argumentaram que estavam atendendo alguma demanda externa ou em reunião. “Não foi nada combinado, não tem esse negócio de bancada evangélica. Preferi me abster, sair do plenário”, disse Ribeiro.
 
Já o vereador Jonson, que disse que estava voltando de uma reunião no momento da votação, lamentou o ocorrido. “Me entristeceu muito. Eu tenho muito apresso pelo Moschini, só tinha boas referências do padre. Acredito que foi algo inusitado, um equívoco. Se tivesse que repetir meu voto, seria pelo sim”, afirmou.
 
Os vereadores negaram motivação religiosa em suas ausências. A reportagem tentou contato com o padre Edvaldo, mas não houve retorno.