Alerta à população: a sífilis está de volta

Causada pela bactéria Treponema pallidum, a sífilis tem atingido adultos e jovens (Foto: Freepik) Causada pela bactéria Treponema pallidum, a sífilis tem atingido adultos e jovens (Foto: Freepik)

A incidência das IST (infecções sexualmente transmissíveis), nova nomenclatura, preconizada pela organização mundial da saúde para as doenças sexualmente transmissíveis, as DST, está aumentando. “No nosso meio, podemos observar um aumento dos casos de sífilis, das infecções por papiloma vírus e da infecção pela Clamídia, uma bactéria que leva à doença inflamatória pélvica nas mulheres, podendo ser causa de infertilidade”, ressalta a dermatologista, Raquel Keller.

Infelizmente, nos últimos anos a sífilis voltou a crescer com números alarmantes, não só no Brasil, como no mundo inteiro e, um dos principais motivos para esse aumento é porque muitas pessoas têm deixado de lado o sexo seguro, esquecendo o uso de preservativos, sendo esse o único modo capaz de evitar a contaminação por bactérias e vírus que podem causar graves doenças.

“Quando o paciente é portador de uma IST, vão ocorrer inflamações nas áreas genitais, levando a um aumento do fluxo sanguíneo local, favorecendo com isso o contágio de outras IST”, alerta Raquel. “Dessa maneira, na suspeita de qualquer IST, torna-se mandatória a pesquisa de sífilis, hepatite B, C e HIV. É importante, também, investigar os parceiros do último ano, porque algumas das doenças têm um período de incubação bem longo”.

A sífilis é causada por uma bactéria, o Treponema pallidum e o grupo de pessoas atingido por ela é principalmente a dos adultos jovens, porém está presente também na terceira idade e em pré-adolescentes.

A doença pode não apresentar sintomas ou se manifestar em três fases. A forma primária da sífilis é a presença de uma ferida, onde o treponema é inoculado; porém, ela é pouco dolorosa e pouco secretante, sendo muito raro que o paciente procure assistência médica nessa fase. Entre 10-90 dias é o período de incubação, a ferida cicatriza e depois aparecem as manchas na pele, podendo atingir as palmas das mãos e plantas dos pés. Esse período é conhecido como secundarismo da doença. “Os sintomas desta fase podem ser facilmente confundidos com uma alergia cutânea. Alguns pacientes podem apresentar também sintomas sistêmicos como dores musculares, mal estar, gânglios, e falta de apetite; o que pode levar, felizmente, o paciente a procurar a ajuda médica, e o dermatologista deve estar atento ao possível caso de sífilis, levando o paciente a ter o diagnóstico confirmado e o tratamento indicado”, ressalta a dermatologista.

Entretanto, quando o paciente não é diagnosticado, em 30% dos casos não tratados, a doença vai evoluir para a forma terciária levando ao comprometimento do sistema nervoso central, com quadros de demência, crise convulsiva e déficit motor com perda da força motora, ou seja, dificuldade para andar.

As crianças também podem ser acometidas e a sífilis congênita é transmitida para o bebê em qualquer fase da gestação, podendo acontecer até no momento do parto. Os perigos para a criança são graves e variáveis e vão do nascimento prematuro, baixo peso ao nascer, lesões na pele, problemas respiratórios, óbito, até riscos tardios, como alterações de face e ósseas, surdez neurológica, déficit cognitivo, entre outros.

Em outubro de 2016, o Ministério da Saúde reconheceu que a situação estava fugindo do controle e decretou a epidemia. A maior parte dos casos está na região Sudeste (56%), a mais urbanizada e desenvolvida do País. “A doença, que antes acometia a população mais pobre, hoje atinge todas as classes sociais. Por isso, segue o alerta para o uso de preservativos durante todo ato sexual, como uma das maneiras mais eficazes de evitar não só a sífilis, como qualquer doença sexualmente transmissível”, completa Raquel.