Alimentos e Saúde

Necessidade básica do ser humano, alimentar-se é a um dos pilares de uma boa saúde. Nos dias de hoje, porém, até esse ato simples de comer bem virou um desafio. A confusão começa ao ter que escolher o que comprar diante da profusão de produtos ditos alimentícios e ainda pior, propagandisticamente vendidos como saudáveis, escondidos atrás de atrativas embalagens.

Produtos zero, diet, light, desnatados, sem glúten, sem lactose, inicialmente concebidos para atender um público restrito de portadores de algum distúrbio metabólico com especificidades genéticas ou alergias alimentares, e/ou para uso ocasional, tornou-se uma panacéia para ganhar mercados, principalmente entre o público fitness que busca a saúde.

Existe uma enorme diferença entre o verdadeiro alimento e produtos cuja presença de substâncias tóxicas ou ausência de nutrientes essenciais deveriam ser consideradas impróprias e banidas da alimentação de pessoas que as consome sem indicação nem orientação profissional. Vários componentes ainda presentes em produtos alimentícios no Brasil já estão proibidos em muitos países.

Má informação aliada a um oportunismo mercadológico fazem com que o consumidor acabe por fazer opções longe de serem saudáveis, encantando-se pelo apelo desses falsos alimentos, desconfigurados de sua origem integral na melhor das hipóteses, ou cheios de aditivos químicos, adoçantes, conservantes, estabilizantes, que muitas vezes nem contém na sua formulação o ingrediente central que é apresentado nas lindas fotos da embalagem.

É necessário uma educação mais ampla e profunda que favoreça o discernimento das pessoas sobre alimentação e o que é saúde, o que a promove e o que a prejudica. Saúde é uma questão holística, ou seja, diz  respeito à vida do indivíduo como um todo. Na definição da OMS (Organização Mundial da Saúde, órgão da ONU) é “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças”. Logo, o que promove a vida e seu bem-estar é saudável e o que a destrói é insalubre. O indivíduo saudável está inserido no todo da vida, na sociedade e seu ambiente.

Uma alimentação saudável precisa estar baseada numa diversidade de plantas, verdes e coloridas, e assegurando boas fontes de proteínas e gorduras de qualidade. O alimento deveria ser saudável desde sua origem, a quem planta e produz, a quem compra e consome e ao ambiente como um todo.

Colhido diretamente da terra, retirado da árvore, cultivado com água pura, solo vivo, de produtores conscientes, consumidos “in natura” ou minimamente processados, como os fermentados. A fermentação é um exemplo de processamento alimentício com o qual ser humano evoluiu ao longo da História, desde os primórdios, egípcios e outros povos antigos já produziam pães e bebidas fermentadas. Esse processo além de conservar, melhorar a qualidade nutricional, enriquece-os naturalmente com vitaminas pela atividade dos probióticos, microrganismos que favorecem a saúde do indivíduo.

A diversidade microbiana que garante uma boa ecologia intestinal e saúde individual, numa visão integral, relaciona-se à diversidade ecológica do ambiente em que foram cultivados e na qualidade dos alimentos que ingerimos, contribuindo significativamente para o bem-estar geral, essencial à saúde coletiva.