Aluga-se ou vende-se – Troca-se ou fecha-se

Walter Naime

Não precisa se assustar, porque, comercialmente, as placas das imobiliárias não deixam de anunciar Aluga-se Vende-se, parecendo até a numeração das casas, pois se apresentam em grande número, como se fossem uma marca.

Não é mal agouro, porém as coisas não vão bem, e não se sabe até quando.

No nordeste corre uma frase que acho ser exportada para cá: “As coisas ruins vão muito bem”. Porém, dizem que lá falta tudo.

Estamos atravessando uma fase difícil para o comércio e, consequentemente, para a indústria, pois a negatividade da crise se espalhou como tiririca por toda parte.

A política que levou o país a esta situação tem de volta o símbolo da bagunça brasileira: “vote em tiririca”, mas não espalhe essa ideia, porque não há mais lugar onde plantá-la, a não ser no cérebro vazio do eleitor brasileiro.

Certo é que no desespero do comércio aparecem os oportunistas que, de um modo aventureiro, se lançam à frente como bucha de canhão. Nos casos de acerto positivo dessa atitude, que é de uma minoria, se encontram os “chinguelingues” que se destacam com perseverança e trabalho o que motivam seus sucessos.

A situação do comércio e da indústria é preocupante com 13 milhões de desempregados.

Você poderá até criticar este texto, por tocar em assuntos delicados e tristes como este, no entanto, ao dar uma martelada no prego, e outra na ferradura, não querendo ser mais realista que o rei, não devemos ser inocentes a ponto de defendermos os pessimistas e atacar os otimistas, as coisas estão na cara.

Entramos comercialmente numa prática de casos perdidos devido a estagnação econômica. Nem se compra nem se vende mas “troca-se” ou barganha-se e então a moeda corrente é o próprio produto. Barganha-se um porco por uma saca de feijão; um canário da terra por uma cabra branca; um voto por uma camiseta, ficando a critério de sua imaginação para produzir o que quiser como forma de comércio.

A barganha era a forma inicial de se comerciar. Outras formas tiveram lugar baseada na criação da moeda e com a evolução chegou-se ao código comercial.

Essa prática exigia muita habilidade, pois o olho no olho, era necessário, enquanto o cérebro trabalhava no sentido da avaliação das coisas que estavam sendo negociadas. Ainda esse tipo de transação é realizada em muitas partes do planeta onde o “comércio civilizado” não conseguiu pontuar.

Das formas aludidas no nosso cabeçário como tema de texto, a pior delas é a que diante da impossibilidade das outras serem realizadas, a transação anuncia, o ato de “fechar-se”, que significa o encerramento dos negócios naquele local.

Espero que com esse artigo, não estaremos fechando o desejo da criatividade, porque estamos sempre abertos ao debate de ideias.

A imaginação não tem limites, e se estiver aliada à coragem e prudência encontrará novos caminhos para esse descaminho.

Arquiteto-urbanista e empresário.