Alunos relembram visita de Cora Coralina a Piracicaba

Momento ficou marcado na memória dos presente (FOTO: Arquivo Pessoal)

O último dia 20 marcou o 130º aniversário de Cora Coralina, pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, considerada uma das mais importantes escritoras brasileiras, e que publicou seu primeiro livro, “Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais”, em 1965, aos 76 anos.

A goianense, nascida em 20 de agosto de 1889 e falecida em 1985, viveu longe das grandes cidades na maior parte da vida, mas em 1982 uma nova amizade a trouxe a Piracicaba, como relembra o jornalista e professor David Chagas, que naquele ano atuava como Secretário de Ação Cultural. “Cora Coralina ficou minha amiga por meio do poeta Carlos Drummond de Andrade. Tinha com ele e sua filha uma relação fraternal. Numa das muitas visitas que lhe fiz, recomendou-me que estivesse atento à poetisa goiana”, conta. Naquele ano, Cora havia de sido premiada com o Troféu Juca Pato e Chagas a convidou para conhecer os alunos do CLQ (Colégio Luiz de Queiroz).

É com muito carinho que o jornalista se lembra da manhã em que a escritora, que ficou hospedada por cinco dias em Piracicaba, foi recebida pelos alunos. “Fez, durante toda uma manhã, no Pátio dos Eucaliptos do CLQ, uma conversa primorosa com a juventude que, atenta, soube portar-se com distinta elegância junto àquela senhora de mais de noventa anos”, relembra. “A escola ficou abarrotada de gente. Havia entre os jovens estudantes, vários pais de alunos e alguns curiosos interessados na obra da escritora”.

A visita ficou na memória dos alunos que, na data especial para Cora e sua obra, expressaram a significância do momento nas redes sociais. “Tenho imensa gratidão! Foram experiências e cultura para a vida inteira. Até hoje conto para meus filhos”, afirma Eliane Dibbern Campos pelo Facebook.

Hosana Ramos relembra as sensações do dia. “Tantas emoções, tantas alegrias! Momentos de olhos atentos, ouvidos apurados, coração palpitando”, disse na rede social.

Já David se diz recompensado pela reação dos ex-alunos. “Esta é, para mim, não a lembrança, apenas, mas a recompensa maior que um professor pode receber, descobrindo, ainda que tardiamente, o quanto foi bom para seus jovens estudantes”, declara.

 

Mariana Requena
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