Amor pela leitura do Jornal de Piracicaba passa de geração a geração

118 anos Dona Cecília se recorda quando seu marido Orlando foi capa nos 110 anos do JP.(Claudinho Coradini)

Credibilidade e verdade são as marcas que fazem do JP sucesso entre assinantes e leitores

O Jornal de Piracicaba completa 118 anos de história, de uma trajetória de sucesso e de constante evolução. Hoje também é publicada a edição de número 40.907, prova de que o matutino integra um grupo restrito de jornais brasileiros com mais de um século de circulação diária e ininterrupta. Na nossa região, o JP é o mais antigo jornal em circulação e mesmo diante de tantas transformações, sejam comportamentais ou de questões econômicas, sua força e credibilidade são indiscutíveis.

Credibilidade esta comprovada pelos fiéis leitores e assinantes do JP. Entre as assinaturas mais antigas em atividade está datada de 1929, ou seja, está ativa há 90 anos. a assinatura está na terceira geração da família Godoy. de acordo com Maria José Oliveira Godoy, 77, o primeiro titular desta assinatura foi seu sogro Elias Luiz de Godoy, que antes de morrer passou a assinatura para seu marido. “Depois que meu marido morreu, resolvi passar a assinatura para minha filha Elisângela, pois estou sempre com ela e aproveitamos para ler o Jornal de Piracicaba juntas”, disse.

Celina Rodrigues, 91, é assinante assídua do JP há 80 anos. Segundo ela, Seus pais vieram do Líbano e foram os primeiros titulares. “Meu pai deixou a assinatura pra mim. Ler o jornal é minha distração diária”, declarou.

A professora aposentada e pós graduada em antropologia, Maria Ignês Stolf, 88, diz que aprendeu o gosto pela leitura de jornais com seu pai Egídio Stolf. “Meu pai era leitor assíduo e eu também sou”, disse.

Maria Cecília Estevam Berto, 66, lembra com carinho de seu marido, Orlando Berto, 71, que foi capa do Jornal de Piracicaba quando o JP completou 110 anos. “Meu marido guardava todas as edições do jornal. Infelizmente, ano passado ele pegou uma bactéria e não suportou. Meu filho Rafael fez questão de guardar essas edições antigas e meu neto de 6 anos disse que também vai guardar os jornais do vovô”, disse.

Há 35 anos Teresinha Boscariol, 70, tem o costume de levantar bem cedo e ler o jornal.‘Primeiro eu leio o caderno de Cultura, que eu mais gosto e depois leio as notícias. Acompanho tudo. O jornal nos dá conhecimento, não consigo ficar sem ler”, enfatizou.

80 anos da Família Losso

Desses 118 anos de existência do Jornal de Piracicaba , 80 estão sob o comando da família Losso. Nascido em 4 de agosto de 1900, o periódico que fez e é parte da história de Piracicaba foi adquirido em 1939 por José Rosário Losso e seus filhos Fortunato Losso Netto e Eugênio Luiz Losso.

Proprietário da casa lotérica Ao Gato Preto, José Losso, então com 66 anos, tinha o desejo de comprar o jornal para que os seus dois filhos pudessem ter um negócio próprio. O mais novo, Fortunato, tinha 29 anos e alguma experiência com jornalismo, já que colaborara com o JP ainda na adolescência. Sua experiência já acumulava em trabalhos como revisor e redator em jornais da imprensa fluminense, quando estudava medicina no Rio de Janeiro. Por pouco mais de dois anos, ele assinou uma coluna sobre conselhos médicos, também no JP. Já Eugênio, artista plástico, possuía 41 anos e se dispôs a conduzir a gerência da empresa, que incluía além do jornal, uma papelaria e tipografia.Tudo começou em 4 de agosto de 1900, quando Manuel Buarque de Macedo, Alberto da Cunha Horta e Antonio Pinto de Almeida Ferraz deram início a esta história.

Para seu crescimento, o jornal contou com nomes como Juvenal do Amaral, Álvaro de Carvalho, Pedro Krahembuhl, Pedro Crem e João Francisco de Oliveira. Em 1939, o veículo passou para a Empresa J.R. Losso, constituída por José Rosário Losso, Fortunato Losso Netto e Eugênio L. Losso.

Os herdeiros que seguiram à frente do JP foram os netos de José Rosário Losso, Antonietta Rosalina da Cunha Losso Pedroso e José Rosário Losso Netto. Atualmente, o filho de Antonietta, Marcelo Batuíra, é quem dirige o matutino de seu bisavô. “Desde 1900 já havia no espírito daqueles que criaram as primeiras edições, a noção acertada de que a meta de um jornal não era imprimir uma folha de papel e sair pela cidade distribuindo, mas ao contrário disso, era produzir informação. E desde aquela época havia uma conscientização da importância de que essa informação fosse genuína, muito antes do conceito hoje largamente difundido das ’fake news’. Os jornalistas do século passado, nunca sonharam com o que hoje chamamos de internet, mas já eram conscientes do potencial de dano que uma falsa notícia poderia causar à comunidade”, salienta.

Ao lembrar as antigas edições, Batuíra informa que era não era incomum nessas publicações ler notícias desmentindo boatos e histórias inventadas. “Assim entende-se que a essência de um jornal está aí: na verdade e na transparência”, enfatiza.

Imortalizados

a importância do matutino e o nome daqueles que compuseram a história do JP, também podem ser vistas por toda Piracicaba. Fortunato Losso Netto, entre inúmeras honrarias póstumas que recebeu, teve seu nome imortalizado no Teatro Municipal de Piracicaba, que passou a chamar-se Teatro Municipal ‘Dr. Losso Netto‘ em abril de 1993, além do Pavilhão de Radiologia da Santa Casa de Piracicaba (Centro de Radiologia Dr. Fortunato Losso Netto) e a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Dr. Fortunato Losso Netto, no bairro Piracicamirim.

Eugênio Luiz Losso, um dos fundadores do Salão de Belas Artes de Piracicaba, recebeu homenagem póstuma por meio da criação da Medalha Eugênio Luiz Losso, concedida pelo JP e Revista Arraso, e que destaca uma das obras selecionadas anualmente na mostra. Ele também dá nome a uma rua no bairro Unileste.

José Rosário Losso, que em 1939 comprou o JP junto com os filhos Losso Netto e Luiz Losso, ficou imortalizado dando nome à praça entre as avenidas Comendador Luciano Guidotti e 31 de Março, em frente à matriz do jornal.

Em maio de 2012, a EMEI (Escola Municipal de Educação Infantil) do bairro Vila Monteiro recebeu o nome da ex-diretora do JP, Dra. Antonietta Rosalina da Cunha Losso Pedroso. a honraria foi um reconhecimento pelos anos de trabalho à frente do diário, também como incentivadora sobre Direito, Contabilidade e Economia, além de ser lembrada pelos papeis fundamentais dispensados a diversas instituições e associações municipais, estaduais e até nacionais.

Entre os ex-editores que atuaram no JP, estão os jornalistas Leandro Guerrini e Geraldo Nunes. Guerrini teve seu nome dado à Loja Maçônica Leandro Guerrini, na avenida Armando Cesare Dedini, e na praça Professor Leandro Guerrini. Já o nome de Nunes passou a denominar o viaduto Jornalista Geraldo Nunes, na rodovia Geraldo de Barros (SP-304), que liga Piracicaba a São Pedro.

Respeito aos leitores

É preciso acompanhar a evolução do tempo e nesse sentido, o Jornal de Piracicaba está totalmente integrado às novas mudanças e as transformações que acontecem de maneira dinâmica. de acordo com o diretor de criação e publicidade do JP, Alex Rodrigues, as demandas e expectativas dos leitores mudam em consonância com os avanços da tecnologia e com as possibilidades de interação que ela oferece. “É salutar que estejamos presentes onde o leitor deseja nos encontrar, seja no impresso – todas as manhãs em sua residência – ou na internet, no seu computador, tablet ou smartphone. Hoje, aos 118 anos, continuamos a buscar e ampliar as nossas plataformas de atuação, para que estejamos cada vez mais perto dos nossos assinantes e leitores”, afirma.

Atualmente, o Jornal de Piracicaba oferece um leque de possibilidade de acesso por parte do leitor. O portfólio (e canais de contato) do JP podem ser acessados por meio do portal de notícias, pelo jornaldepiracicaba.com.br; site da versão flip do JP para assinantes: jpdigital.com.br; blog da revista Arraso: revistaarraso.com.br; site de veículos: veiculosjp.com.br; site de ofertas de imóveis: imoveljp.com.br; aplicativo da Revista Arraso para Android e iOS; aplicativo do JP Digital para Android e iOS; aplicativo do Jornal de Piracicaba para Android e iOS (versão responsiva do portal); além dos canais de comunicação entre leitor e JP por meio do WhatsApp da Redação: 98203-7277 e da Central de Atendimento ao Assinante: 98140-6979. “É o JP a cada dia mais perto do leitor”, salienta Alex.

(Fernanda Moraes)