ANIVERSÁRIO

José Faganello

“Os aniversários são o aluguel que pagamos pela vida”. (Sofocleto)

Em cada aniversário que comemoramos, inevitavelmente, recordamo-nos de como caminhamos rápido para o fim. Temos a impressão de que a vida é tão veloz, quanto o vôo de um pássaro e que Omar Khayyan teve razão ao deixar em seus versos esta advertência: “Escuta a / voz da / sabedoria, que te repete / o dia inteiro: a vida / é breve e tu não és como / as plantas que reverdecem / depois de podadas”.

Nesse teatro em que representamos variados papéis, alguns com ótimo desempenho, outros de maneira sofrível, não raro, somos obrigados a usar máscaras para conseguir conviver sem muitos atritos, quer com aqueles que conosco contracenam, quer com a plateia, que ávida, aguarda em geral, nosso fracasso.

Na generosa vida com que fui premiado, quer em anos como em alegrias, muito mais frequentes do que as tristezas, um dos meus melhores prêmios são os amigos. É intrigante como me dei conta, somente há pouco tempo, de que se engolfar no trabalho é um sério obstáculo para angariar e conservar amizades. Essa virtude é como uma planta delicada que necessita de cuidados, ou seja, precisamos frequentar os amigos.

Sempre tive uma vida preenchida por exageradas horas de serviço o que não me impediu de ter bons amigos, mas me privaram de frequentá-los mais amiúde.

Ao me aposentarem compulsoriamente, senti muito, pois gostava muito de exercer o magistério. Ao passar do tempo continuo sentido a ausência dos alunos, e gostaria de estar lecionando ainda.
Foi assim que me deparo com meu próximo aniversário. Em 28 de novembro de 2018 atinjo 80 anos. Procurei em minhas anotações um poema do século 10, de um desconhecido poeta árabe (quando os árabes se destacavam pelos poetas não pelos homens-bombas): “Conta teus dias pelas flores, / Nunca pelas folhas que caem, / Conta teus dias pelas horas douradas, / Esquece por completo as nuvens. / Conta tua vida pelos sorrisos ­ não pelas lágrimas. / E, alegremente, ao correr do tempo, / Conta tua vida pelos feitos ­ não pelos anos”.

Agradeço de antemão as felicitações de meus familiares, colegas, amigos e ex-alunos, esses forneceram grande parte da energia para que eu chegasse até aqui. Sem eles sinto uma queda de ânimo.
Stefem Zweig, fugindo das atrocidades cometidas na Europa, durante a Segunda Guerra Mundial, escreveu um Livro: “O Brasil o País do Futuro”. Documento histórico e, ao mesmo tempo uma crônica, um registro de impressões das quais admirava.

Desde criança ouvia falar que nosso Brasil é o país do futuro que até hoje não deu mostras, ao contrário, é um mal exemplo.

No entanto, no atual momento, com as promessas dos atuais eleitos, acho que terei a oportunidade que eles iniciem os trâmites para dar um futuro melhor para nossos filhos e netos.
Estarão despertando o “Gigante adormecido em berço esplêndido”.