Anônimos ganham a vida nos semáforos de Piracicaba

emprego Paulo Rodrigues sonha com emprego com carteira registrada. (Claudinho Coradini/JP)

Paulo Rodrigues sonha com emprego com carteira registrada. (Claudinho Coradini/JP)

 

Ao contrário da grande parte dos motoristas que circulam apressados pelas ruas da cidade, eles preferem os faróis fechados. A cada farol vermelho, o verde da esperança acende para os vendedores de milho, panos de prato, entregadores de panfletos e de outras centenas de produtos que, diariamente, são oferecidos aos motoristas. Aos eventuais clientes cabe o aceno positivo ou negativo ou um breve agradecimento.

Há dois anos e meio o mineiro Paulo Afonso Rodrigues, 24 anos, escolheu o cruzamento das avenidas Professor Vollet Sachs com a Piracicamirim como seu local de trabalho. Diariamente, de segunda à segunda, ele vende milho. É assim que ele garante o dinheiro do aluguel, da alimentação e da pensão da filha que está em Minas Gerais. Para resistir à dura jornada de acordar às 6h, ir com a carriola até um estabelecimento no bairro Jaraguá, buscar o milho, tirar a palha e ensacar as dúzias, ele conta com a paciência típica dos seus conterrâneos. “Meu sonho é arrumar um emprego com carteira registrada, ter direitos e receber um salário certo todo mês”, afirmou Rodrigues, que é padeiro por profissão.

Rodrigues contou que deixou sua família para tentar a vida em Piracicaba, mas até o momento não conseguiu nenhuma colocação. Passada a época da safra do milho, ele vende panos de prato nos semáforos. Questionado sobre a licença para ambulante, o mineiro disse que “está tirando (a autorização)”. A Prefeitura de Piracicaba não tem um levantamento de quantos ambulantes legalizados ou não atuam nas ruas da cidade. De acordo com a assessoria de imprensa da administração, a fiscalização é permanente e, em caso de reincidência, o material vendido é recolhido.

O paulistano Gabriel Justino de Oliveira, 28, está em Piracicaba desde 2015 e já teve sua mercadoria apreendida pela fiscalização. Casado e pai de quatro filhos, ele mora no bairro Paulista onde conseguiu construir uma casa, com ajuda de uma entidade. Diariamente, ele, o cunhado e o sogro ocupam os semáforos da avenida Dr. Paulo de Moraes. A abordagem é direta: “ panos por R$ 10”.

A oferta também está escrita para facilitar a visualização. Enquanto concedia entrevista ao Jornal de Piracicaba, um motorista o chamou e comprou 100 panos de uma só vez. “ Nunca consegui uma venda assim, tão grande e tão rápida”, comemorou. Vender 100 unidades é a sua meta diária. “Hoje tenho autorização, os fiscais me conhecem e alguns são meus amigos”, contou, orgulhoso.

O desempregado Alan David de Sousa Moreira, 29 anos, está há dois meses atuando como distribuidor de panfletos nas ruas da cidade. Sem emprego fixo há quase dois anos, ele disse que precisa ajudar sua mãe no sustento da casa, no Santa Fé 2. Sem uma profissão definida, ele contou que já atuou como serralheiro e serviços gerais. Para distribuir panfletos, ele recebe R$ 50 por dia para trabalhar das 12h às 17h. “Tem dias que fico no semáforo e outros entrego casa a casa, eu prefiro entregar nas casas, o trabalho é mais rápido”, contou.

 

(Beto Silva)