Ansiedade (1)

A ansiedade, emoção típica do ser humano, ao lado de outras como o medo e a raiva, faz parte do acervo psíquico da humanidade. Presença crescente e quase constante na vida atual, ela tem causado incontáveis prejuízos à saúde psíquica e física de quem lhe sofre os efeitos. Quando em níveis aceitáveis, pode ser fator de estímulo e motivação, ao favorecer a atenção, a concentração e o empenho necessários ao bom desempenho nas mais diversas tarefas; entretanto, quando excessiva e constante, a ansiedade gera transtornos, prejudica as atividades e a qualidade de vida do indivíduo, requerendo, por isso, tratamento especializado.

Diferente do medo, que é uma resposta a uma ameaça (real ou imaginária), a ansiedade é a expectativa de uma futura ameaça. Quanto maior a expectativa em relação a qualquer evento, maior será a ansiedade associada à perspectiva de sua realização. No ansioso essa expectativa é tamanha e as preocupações tão intensas que lhe roubam a serenidade e a alegria de viver.

O ansioso sente uma desagradável agitação interior, é inquieto e impaciente, por isso busca resultados rápidos e tem grande dificuldade de esperar, além de possuir um baixo limiar de irritabilidade. Quando procura ajuda, tem expectativas imediatistas e se frustra com facilidade diante das adversidades. Apresenta um deslocamento em relação ao tempo, vivendo mais no futuro imaginário do que no presente real, o qual acaba sendo vivido de modo incompleto e empobrecido.

A pessoa ansiosa tem uma tendência controladora e sente desconforto diante do inesperado, do incerto e do que lhe foge ao domínio. Por isso sofre tanto por antecipação, ao sentir-se incapaz de controlar o futuro e impotente diante do que sucederá no amanhã, o que lhe gera angústia e insegurança.

Vivemos em um mundo ansioso e fazemos parte de uma sociedade predominantemente apressada e consumista, materialista e hedonista, que valoriza as aparências e os resultados imediatos, muitas vezes superficiais. O ser humano contemporâneo tem imensa dificuldade de aprofundar as relações – o que demanda tempo, atenção e cuidado, e parece incapaz de apreciar as coisas com inteireza e calma, de contemplar seja o que for, de estar presente sem nenhuma preocupação, de vivenciar plenamente cada experiência, de usufruir cada momento no que tem de único, de fluir com a vida sem antecipar ocorrências desagradáveis, como ocorre com os ansiosos.

O consumismo, o imediatismo e o hedonismo certamente contribuem – e muito – para o aumento da ansiedade, ao estimularem comportamentos compulsivos e inconscientes, criando cada vez mais “necessidades” e pressionando, através da propaganda, as pessoas para que as satisfaçam o mais rapidamente possível. Esse padrão obviamente gera e alimenta um círculo vicioso do qual a ansiedade faz parte.

A competição desenfreada, a constante pressão por resultados e metas, a exigência do cumprimento de tarefas em tempo cada vez menor, as perspectivas de conflitos que se tornam cada vez mais presentes, a falta de um sentido existencial mais profundo – esses e outros fatores aumentam a ansiedade e lhe ampliam os efeitos nocivos, o que enseja a reflexão sobre os caminhos que a presente civilização tem trilhado de modo cada vez mais acentuado, e sobre as possibilidades de mudança dessa realidade.