Apae tem fila de espera de 200 vagas e estima fechar as contas no vermelho

A Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Piracicaba vive um momento delicado no atendimento aos mais de 390 alunos que frequentam a escola especial, que fica no bairro Vila Industrial. Conforme informou a administração da entidade beneficente, a contabilidade do ano de 2017 deve ser fechada “no vermelho” e com redução de até 50% nas doações espontâneas e de colaboradores, sem contar a fila de espera para o atendimento, de quase 200 pessoas.
 
De acordo com a administradora Cleusa Bellini, as principais formas de arrecadação financeira ainda são os convênios com os governos municipal e estadual, porém, não são suficientes. “Estamos fechando o balancete de 2017 e ficamos preocupado, pois fecharemos com déficit. Além disso, nosso custo mensal é de R$ 280 mil para atendermos os alunos e os convênios não dão suporte para o atendimento. Temos a notícia de que outras entidades devem começar a fechar vagas.”
 
Recentemente, a Secretaria de Educação do Estado ampliou o repasse anual por aluno com deficiência para as três instituições conveniadas de Piracicaba e destinará cerca de R$2,1 milhões, 17,8% a mais que em 2017, quando foram R$1,8 mi. A Apae receberá R$ 882.385,60, a Escola de Educação Especial Passo a Passo R$ 111.912,32 e o CRP (Centro de Reabilitação Piracicaba) R$ 1.200.905,28 para o atendimento de 510 alunos conveniados.
 
Cleusa lembrou que, apesar de parecer muito, o valor repassado não era reajustado há quatro anos e, em 2018, o reajuste não recompõe o período. “O aumento foi pouco e só atende 219 dos 390 alunos. O repasse é depositado em três parcelas (março, junho e setembro) e serve para custear parte dos funcionários de fisioterapia, fono, T.O., entre outras atividades. Dos 70 contratados, 40 recebem pelo convênio e outros 30 precisamos correr atrás de apoio”, informou.
 
Segundo a administradora, de cada 100 alunos, apenas 20 conseguem ser reinseridos socialmente. “Esta é nossa função e a parte educacional vai bem, porém, nosso pilar principal não é a educação, mas sim a saúde da pessoa que cuidamos aqui. Temos uma boa infraestrutura, mas falta dinheiro para custear isso. E, mesmo com apoio do convênio com a prefeitura, a conta ainda não fecha.”
 
 
APOSTA — Cleusa espera que o Ministério da Saúde dê suporte para o atendimento realizado pela entidade. “Estamos entre as 700 Apaes que esperam pelo convênio Federal do CER 2, que é um centro especializado em saúde para especiais. Já temos tudo aqui, só precisamos da confirmação do ministro para conseguir equilibrar, em partes, o atendimento em saúde dos nossos atendidos”, concluiu.