Apaixonados por Fusca se reúnem todas as quintas

apaixonados Colecionadores investem pesado no popular modelo da Volks. (Amanda/JP)

Fabricado no Brasil de 1959 a 1986 e depois de 1993 a 1996, o Fusca é a história mais recente e conhecida da paixão do homem pela máquina. Com visual simpático, ele é o carro mais carismático e amado e já foi até protagonista de filmes. Quem não se lembra do famoso Herbie? No Brasil, ele foi lembrando em músicas e, a exemplo de outras partes do globo, reúne milhares de apaixonados pelo carrinho que mais lembra um besouro.

Em Piracicaba, todas as quintas-feiras, 28 amantes do Fusca têm encontro marcado. Eles formam o grupo Dropped Volks.O presidente do clube é o empresário Marcel Rafael Pereira. Dono de seis modelos, ele diz não saber explicar o que motiva essa paixão. “Não sei o porquê, só sei que gosto muito”, resumiu.




Marcel não esconde a preferência pelo modelo 72, marrom, comprado há quatro anos. Nesse período já foram quatro motores e muitos apetrechos comprados durante suas viagens. A última delas (mais longa) foi para Garibaldi, no Rio Grande do Sul, distantes 1.180 quilômetros de Piracicaba. “Ele foi e voltou sem problemas, a Polícia Rodoviária só me manda parar para tirar fotos”, contou orgulhoso.

Há 15 anos na família do técnico de manutenção, Francisco de Oliveira, Moleque é o xodó da casa. O Fusca 72, branco, pertenceu ao sogro, já falecido, e é tratado com carinho pelo dono. “Saio com ele uma vez por semana, para passear com a minha esposa (Iraci)”, contou. Oliveira disse que sempre é questionado sobre a intenção de vender o carro. “As pessoas perguntam se eu quero vender e respondo apenas que não está à venda”, afirmou. Segundo ele, um Fusca nas condições do seu deve valer de R$ 20 a R$ 30 mil.

DE PAI PARA FILHO — Foi a paixão do pai, Valdeir Martins, pelo Fusca que motivou o estudante Guilherme Martins, 18 anos, a despertar o interesse pelo carro. Hoje, a garagem da família dá espaço para os dois modelos da Volkswagen. O do operador de máquinas é um modelo 1986 original, usado no seu dia a dia. Já Guilherme mudou totalmente as características do Fuscão 68 azul que ganhou do pai quando completou 16 anos. O carro teve a suspensão rebaixada, ganhou detalhes na pintura (tatuagens), para se adequar ao hard look e ao final foi batizado de Gasparzinho. Questionado sobre quanto teria gastado em acessórios para o Fusca, o estudante revela que até o momento foram R$ 10 mil e ainda falta algumas modificações. “Esses R$ 10 mil saíram do bolso do pai”, acrescentou Valdeir.

Os encontros do Drupped Volks vêm ocorrendo no Centro Social Cáritas, na Paulicéia. De acordo com o coordenador da entidade, Bruno Campos, a parceria com o clube do Fusca tem revertido doações para a entidade. No dia 18 de novembro, acontece o encontro anual do grupo, com expositores da cidade e cidades da região e do Estado. O evento acontece no Engenho Central e este ano vai arrecadar alimentos para o Cáritas.

(Beto Silva)