Após hepta da Copa América, Vadão vê Brasil colher frutos de seleção permanente

Com sete vitórias em sete jogos, sendo a última delas por 3 a 0 sobre a Colômbia, neste domingo à noite, em La Serena, no Chile, a seleção brasileira feminina de futebol conquistou o título da Copa América com 100% de aproveitamento e assegurou a sua presença nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. De quebra, a campanha perfeita rendeu uma vaga no Mundial de 2019, na França.

Ao comentar a conquista destes dois principais objetivos almejados em solo chileno, o técnico Oswaldo Alvarez, o Vadão, disse que o bom desempenho de suas comandadas se deveu em muito ao longo período de preparação que uma parte do grupo de jogadoras do time nacional vinha realizando na Granja Comary, em Teresópolis (RJ), desde o início de janeiro. Do grupo que foi convocado para a competição continental, 11 jogadoras fizeram parte da chamada seleção permanente, que é mantida pela CBF também para manter algumas atletas em atividade enquanto estão sem campeonatos a disputar ou até mesmo sem clube para defender.

“A CBF mais uma vez entendeu a nossa ideia, a seleção preparatória foi essencial para o nosso desempenho na Copa América e fortaleceu muito o nosso trabalho. Das 22 jogadoras que estão aqui (no Chile) conosco, 11 participaram dos três meses de trabalho na Granja, outras quatro estiveram em grande parte do tempo e, claro, as que atuam fora do Brasil e se apresentaram nas datas Fifa”, afirmou Vadão, em entrevista ao canal de TV da CBF, ainda no gramado do estádio La Portada, em La Serena.

“A gente conseguiu ter um grupo muito bem treinado e, no momento em que precisamos de todas as jogadoras que participaram deste período de preparação, elas estavam muito bem preparadas”, exaltou o comandante.

No início deste mês, em entrevista ao Estado concedida poucos dias antes de embarcar rumo ao Chile para a disputa da Copa América, o treinador disse que a equipe nacional é vítima do fato de que o País conta com poucos clubes que possuem times femininos. Também por isso, foi necessária a criação da seleção permanente, o que ele já havia conseguido implementar anteriormente no início de sua primeira passagem pelo comando da seleção feminina, em 2014.

Vadão ainda apontou que governos estaduais e prefeituras do Brasil não criaram até hoje planos para desenvolver a modalidade para as mulheres e se tornarem parte importante neste processo de formação e revelação de jogadoras.

“Mais uma vez foi muito importante a CBF entender essa nossa necessidade e, mais uma vez, nos deu todo o suporte que precisávamos para a seleção”, disse o treinador na noite deste domingo, quando comemorou o seu primeiro título de expressão à frente da seleção brasileira após ter reassumido o comando da equipe nacional em setembro do ano passado. De lá para cá, a equipe também conquistou um torneio amistoso, na China, e derrotou o Chile por duas vezes, em novembro, em outras partidas de preparação neste ciclo que visa principalmente o Mundial de 2019 e a Olimpíada de 2020.

Nesta Copa América, o Brasil defendia a condição de grande favorito ao título e se sagrou heptacampeão em uma campanha com 31 gols marcados e apenas dois sofridos. Antes disso, a seleção feminina faturou a competição em 1991, 1995, 1998, 2003, 2010 e 2014. O País só não ficou com a taça do torneio continental em 2006, quando foi surpreendido pela Argentina na decisão realizada na casa da adversária.