Após morte de porteiro, família reclama de omissão do Samu e faz BO

A morte do porteiro José Roberto Justino, 46, gerou revolta em familiares e amigos no fim da tarde de anteontem, no bairro Paulista. Testemunhas alegam que o atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que tem uma base a 600 metros da casa da vítima, demorou mais de meia hora. A prefeitura contesta a versão da família. Seu corpo foi sepultado ontem, no Cemitério da Vila Rezende.
 
De acordo com familiares de José Roberto, ele se recuperava de um acidente vascular cerebral e relatou um mal-estar durante o banho. “Quando ele me disse que estava com uma crise de hipertensão, liguei imediatamente para o Samu, por volta das 16h40. Me fizeram perguntas e falaram que não havia ambulâncias disponíveis”, diz a garçonete Karina Batista, filha da vítima.
 
A segunda ligação foi feita pela ex-mulher do porteiro e está registrada em seu celular como efetuada às 16h52. “Nesse momento ele já estava bem mal e inconsciente. Vizinhos nos ajudaram a ligar para a emergência e pedimos ajuda para levá-lo ao hospital”, conta a cuidadora de idosos Fabiana Batista.
 
A filha de José diz que um terceiro contato foi feito após às 17h, quando o quadro da vítima já era grave. “Nesse ponto eu já tinha reanimado ele duas vezes, mas já não havia reação. Após alguns minutos chegaram duas ambulâncias e ele foi levado para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Vila Cristina, o que também não entendemos, pois a Santa Casa era mais próxima.”
 
O porteiro já chegou sem vida à UPA. Na declaração emitida pelo médico, a causa da morte é apontada como “óbito sem assistência médica”. A família, então, procurou a polícia e registrou um boletim de ocorrência para apurar omissão de socorro. O delegado também determinou que fosse feito um exame necroscópico.
 
Questionada pelo JP, a Prefeitura de Piracicaba contestou a versão da família e afirmou que o primeiro contato, informando que a vítima estava em crise convulsiva, foi feito às 16h58. Segundo a Secretaria de Saúde, uma ambulância compareceu ao local em sete minutos, quando os paramédicos constataram uma parada cardiorrespiratória em José e solicitaram uma UTI Móvel que chegou em dois minutos.
 
Ainda de acordo com a Secretaria de Saúde, antes de a ligação ser feita ao Samu, o Corpo de Bombeiros repassou uma ocorrência no mesmo endereço. Os atendentes do serviço tentavam retornar ao número passado pela corporação quando receberam a ligação do local. A prefeitura também diz que os dados estão registrados no sistema de informática e áudio do Samu e permanecem à disposição da Justiça.