Aposentada reclama de falta de ataduras e insulina na rede básica

A aposentada Maria Rosemeire Nolas Christofoletti, 69, reclamou da falta de ataduras e fita crepe na rede básica de saúde e a insulina Novorapid na Farmácia de Alto Custo. A irmã de Maria, Zélia Duceli de Fátima Martinez, 65, precisa fazer curativos todos os dias porque amputou o dedo do pé, mas tem de comprar o material para impedir infecção. Já o filho de Maria, o vistoriador Rafael Nolas Christofoletti, 30, usa dois tipos de insulina e há seis meses está falando a insulina NovoRapid no mesmo local. A prefeitura informou que a regularização do fornecimento de ataduras ocorrerá em abril. A Secretaria de Saúde do Estado também se manifestou.
 
Segundo Maria Rosemeire, a irmã dela tem de fazer curativo todo dia, mas a prefeitura não fornece ataduras e nem fita crepe nos postos de saúde, porque o material está em falta. A irmã é atendida na UBS do Cidade Jardim. “Não pode ficar sem enfaixar se não pega contaminação”, diz a reclamante. Segundo a aposentada, a irmã compra o material desde dezembro do ano passado, porque a Secretaria Municipal de Saúde não os fornece. Para o tratamento, são utilizadas 30 ataduras por mês.
 
Além disso, Maria diz que faz seis meses que está em falta a insulina NovoRapid, que o filho usa. Ele teria de aplicar essa insulina após as refeições para equilibrar a taxa de açúcar no sangue. Por mês, a família gasta pelo menos R$ 160 com a compra do medicamento. Além desta, Rafael também usa a insulina Lantus de manhã e à noite. Por causa do diabetes, o jovem já perdeu 75% da visão. A família entrou na Justiça para garantir o fornecimento do medicamento em falta, mas ainda não obteve a liminar que obriga o fornecimento. 
 
 
OUTRO LADO — A prefeitura confirmou a falta dos materiais. “De fato houve um problema no abastecimento de ataduras na rede de Atenção Básica, porque a empresa ganhadora da licitação não fez a entrega dos produtos. Mas no início de abril a situação voltará à normalidade. Uma nova licitação está em fase final e as compras serão concluídas para atender o ano todo”, traz nota da prefeitura. 
 
Em nota, o DRS (Departamento Regional de Saúde) de Piracicaba informou que realiza planejamento rotineiro da demanda de insulinas e itens para diabéticos. Porém, algumas situações, como atraso por parte de fornecedores na entrega dos produtos, podem impactar no atendimento. É o caso da insulina Novo Rapid (asparte). “A distribuidora D-Hosp vem prorrogando prazos nos últimos meses e está sujeita a multa e demais sanções cabíveis. De qualquer modo, o DRS está verificando alternativas para atender a paciente o quanto antes, e ela será comunicada tão logo haja disponibilidade do item”, traz a nota. 
 
Além disso, o DRS informou que casos de fornecimento por decisão judicial também dependem dos trâmites burocráticos e devem respeitar os prazos definidos pela legislação, além de existir atores alheios ao planejamento, que podem prejudicar a agilidade no processo, como atraso do fornecedores, pregões vazios (sem oferta de medicamento) e fracassados (cancelados porque as empresas ofereceram preço acima da média do mercado).