Aposentado ‘adota’ área na avenida Armando de Salles e planta 32 árvores

Se você já passou na avenida Armando de Salles Oliveira, no Centro, e apanhou um abacate, goiaba ou manga de uma das árvores do local, saiba que é graças a um sabiá. Antes mesmo do sol raiar, o pássaro já começava sua cantoria e acordava Francisco Rubens Voltani, 73, morador da rua São José. Foi o canto do pássaro que motivou o metalúrgico aposentado a plantar 32 árvores frutíferas no canteiro da via pública ao longo dos últimos sete anos.
 
Apaixonado pela natureza, Voltani sempre plantou árvores. A fazenda da esposa era seu lugar preferido. “Eu sempre gostei de plantar árvores frutíferas. Não para o meu consumo, mas pensando nos passarinhos, nos animais. O que já plantei de árvores no meio do mato você não imagina”, contou o aposentado.
 
Em 2003, Voltani se mudou para um apartamento na rua São José, um quarteirão acima da avenida Armando de Salles. A ideia de plantar as árvores surgiu quase imediatamente após a mudança. “No clarear do dia, no escurinho ainda, o sabiá já começava a cantar. Eu moro no 9º andar do edifício e, observando daqui, vi que essa área estava toda abandonada”, lembrou. 
 
Foi da fazenda de um sobrinho no Mato Grosso do Sul que Voltani trouxe as primeiras mudas de manga bourbon. Elas foram plantadas em uma caixa de leite e foram cultivadas até estarem fortes o bastante para serem plantadas na avenida.
 
Enquanto as mudas cresciam, o metalúrgico tentou obter autorização da prefeitura para ficar responsável oficialmente por cuidar de um determinado espaço da avenida. Porém, o pedido foi negado.
 
“Falaram que eu tinha que assumir a avenida toda, do começo ao fim, mas não poderia separar. Aí era muita coisa”, disse Voltani. 
 
Quando as mudas ficaram fortes, em outubro de 2011, o aposentado resolveu plantá-las por conta própria. A qualidade do solo foi um obstáculo que exigiu cuidados diários.
 
“Como a terra é bastante seca, eu pegava água do posto aqui perto e ficava à noite, até umas 23h, meia-noite, baldeando água para lá com o regador, porque elas estavam muito pequenas. Se ficasse três, quatro dias sem molhar, já começava a murchar de tão ruim que a terra é. Demorou uns cinco, seis anos para começar a produzir frutas”, explicou Voltani. 
 
Ao plantar as 32 árvores frutíferas, Voltani as separou por uma distância de cinco metros cada. Ele também plantou grama amendoim para acabar com o mato. “É muito bonito, é saúde, né? Ver uma pessoa passando, pegando uma fruta. E o que me incentivou foi o canto do sabiá. E advinha quem também vem comer nas árvores? O sabiá!”, comemorou Voltani.