ÁRABES

A Península Arábica, com cerca 2.500.000 Km², é um vasto retângulo que se limita ao norte com o chamado Crescente Fértil (Mesopotâmia, Síria e Palestina) a leste e ao sul com o Golfo Pérsico e Oceano Índico; a oeste com o Mar Vermelho.

A maior parte desse território é constituída por estepes áridas e desertos esparsos. No sul há uma região montanhosa com água, agricultura e população sedentária, enquanto na maior parte da península predominou o pastoreio e nomadismo; seus habitantes viviam dos rebanhos e dos saques às populações sedentárias e caravanas que se arriscavam a atravessar o deserto.

Acredita-se que foi uma região muito fértil, mas mudanças climáticas fizeram com que os povos semitas, que lá habitavam, procurassem outras plagas: sírios, arameus, cananeus, fenícios e hebreus; os que permaneceram são os atuais árabes.

A organização política no sul era monárquica; os reis não eram divinizados como em outras regiões orientais e seus poderes eram limitados pelos senhores da terra. A religião era politeísta.

No norte havia o tribalismo beduíno. A sociedade era patriarcal e poligâmica. O chefe tribal eleito não ditava leis; sua função era mais de um juiz do que de um rei. Quem realmente governava era o Conselho dos Chefes de Famílias.

Seguiam o direito consuetudinário chamado de Sunna (tradição dos antepassados que não deveria ser alterada).

O aparecimento de Maomé deu uma incrível amplitude territorial e cultural a esse povo.

Casado com a rica viúva Khadija, pôde dedicar-se à longas meditações sobre os princípios religiosos do judaísmo, cristianismo e o masdeísmo persa. Em suas alucinações o anjo Gabriel apareceu-lhe e ordenou pregar a submissão total a um único deus, Alá; isso foi titulado como “Chamamento”.

Ao pregar suas doutrinas em Meca, cidade sagrada do politeísmo árabe, para não ser morto fugiu para Yatreb, cidade rival de Meca que o acolheu e sua população converteu-se ao islamismo, mudando o nome da cidade para Medina (cidade do profeta).

Maomé conseguiu transferir a autoridade política à religião, ou seja, para Alá, do qual era o único profeta.

Arregimentou poderoso exército, conquistou Meca, destruiu os ídolos da Caaba (templo sagrado) e conseguiu a adesão dos sacerdotes à nova seita monoteísta.

Conseguiu também converter as tribos, evitando conflitos e estabelecendo acordos conforme as tradições de cada uma.

Maomé morreu um ano depois da conquista de Meca. Deixou uma religião nova, com um livro sagrado, o Corão (Alcorão), e um estado armado e organizado, num momento histórico em que o Império Bizantino e Persa estavam em crise e o Império Romano do Ocidente havia se fragmentado em reinos bárbaros subdivididos em feudos.

Usando da Djihad (Guerra Santa) baseada no preceito islâmico segundo o qual o fiel deve fazer proselitismo de sua religião, o povo árabe transformou-se em intrépidos guerreiros que rapidamente conquistaram Iraque, Síria, Palestina, Egito, norte da África, Península Ibérica e Pérsia.

Os árabes conseguiram impor seu idioma e religião nas vastas regiões que dominaram. Assimilaram e espalharam as culturas dos povos dominados, principalmente a cultura grega e romana que havia sido exterminada no ocidente. Devemos a eles o uso do zero, dos algarismos arábicos, da pólvora, papel e bússola (invenções chinesas).