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Faz falta nosso matadouro
Fortunato Losso Netto
31/08/2016 11h11
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26 de maio de 1973 - O fechamento de nosso Matadouro Municipal, por absoluta falta de condições de higiene, vem trazendo uma série de problemas que estão reclamando atenção do prefeito Adilson Maluf.

Trata-se da situação insustentável em que estão os pequenos produtores, os sitiantes, que ficaram sem condições de comercializar seus produtos, levando-os a uma condição de desalento.

O problema nos foi exposto pelos prejudicados, e pelo visto eles têm carradas de razão. Até quando havia o abatedouro oficial, o pequeno produtor, que tinha, digamos, dois ou tres porcos para vender, poderia fazê-lo, pois o açougueiro os levava ao matadouro, pagava a taxa devida e podia dispor do produto para o seu comércio.

Ou, em outra hipótese, um lavrador que tivesse algumas cabeças de gado e por qualquer razão quisesse delas dispor, a presença do matadouro facilitava a transação, já que o seu produto poderia ser vendido nas casas de carne, em condições absolutamente legais.

Os frigoríficos, pela sua própria organização, abatendo animais e os comercializando em grande escala, não podem descer, por assim dizer, ao varejo de animais, o que lhes traria prejuízos ao seu funcionamento.

Sem ter a quem vender, pois quem compra dois ou três porcos não tem onde abatê-los, o pequeno produtor é levado pelas circunstâncias a contrárias os dispositivos legais, abatendo-os clandestinamente, prejudicando a saúde pública, porque não tem condições de fazê-lo sob as condições ideais de higiene, e, por ser clandestino, acaba sonegando os impostos devidos ao Estado.

As coisas como estão, levaram os pequenos produtores a uma situação de desespero, pois não podem perder o seu produto; não podem comercializá-lo, visto que não têm condições de transformá-lo em algo que possa ser entregue ao consumo público.

Se tentam resolver o problema pelos seus próprios meios, são autuados por abate clandestino e sonegação de impostos.

Sofrem, assim, os pequenos produtores no cerceamento de seu comércio, os consumidores, porque poderiam ter um produto mais barato à mesa, provindo do negócio direto dos marchantes com os sitiantes; sofre o povo, no caso de abate clandestino, sujeito a consumir carne em condições higiênicas condenáveis; sai prejudicado o Poder Público, pela sonegação de impostos.

O Matadouro de Piracicaba chegou a ser apontado como um estabelecimento modelo, muitos anos atrás.

Tinha uma estrutura perfeitamente aceitável como abatedouro, a qual foi ficando obsoleta, pelo abandono completo de suas instalações, até chegar ao ponto de ser interditado pelos órgãos federais competentes.

E o problema, ao que soubemos, se estende aos municípios vizinhos, gerando um clima de descontentamento e decepção em toda a zona.

O assunto, sem dúvida, merece estudo e atenção, porque diz de perto do interesse da sofrida gente do campo e dos consumidores citadinos, que dependem, também, do abastecimento dos pequenos produtores, dignos da proteção do governo.


Fortunato Losso Netto

Foi médico, jornalista, diretor e proprietário do Jornal de Piracicaba


 
 
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