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Por que um Hospital Municipal para Piracicaba?
Fortunato Losso Netto
24/08/2016 10h12
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13 de dezembro de 1977 - Mesmo correndo o risco de parecer que enveredamos pelos caminhos da oposição sistemática o que jamais temos feito ao longo de nossa vida jornalística, precisamos voltar nossas críticas contra a Administração Municipal.

Oposição sistemática, por si só, não sustentamos, porque dificilmente ela pode pautar-se pela justiça e equilíbrio.

A paixão partidária não nos satisfaz, porque, alimentada somente de emoções, perturba a visão e o raciocínio do jornalista que deseja somente tratar com a razão, manipulando os fatos tais como se apresentam, no bom entendimento do serviço à coletividade.

Mas a série de desacertos do prefeito João Herrmann Neto não tem fim, e pelo menos abordá-los, examiná-los, chamando a atenção de quantos puderem ajudar a amparar a cidade contra as iniciativas que, a nosso ver, aí aparecem a dano da coletividade.

Desta feita, trata-se da licença que o prefeito municipal enviou ao Legislativo, para contrair vultoso empréstimo para a construção do Hospital Municipal de Piracicaba.

Muitos dos leitores que nos conhecem poderão exclamar ‘mas logo um médico, contra a construção de um hospital?’ Tal hipótese poderia configurar-se com a explicação de que ‘poderia haver aí algum interesse contrariado’.

Não é o caso, porém já afastado das atividades médicas, não tendo interesse particular algum a defender, mas conhecendo, por força das circunstâncias, razoavelmente, a problemática desse setor de Piracicaba, por isso mesmo tenho obrigação de alertar aqueles que têm poder de decisão na cidade, contra uma verdadeira heresia administrativa que o moço, inspirado talvez em altos arranhos da assistência social, vai meter o município numa empreitada inglória, de graves consequências econômicas, que afinal, vão recair sobre o pobre povo sofrido da cidade.

Os custos para a elevação de um hospital hoje em dia são astronômicos e a sua instalação, com todo o aparelhamento moderno necessário, nem se fale.

Mas o custo, que ele só me assusta, não é o principal problema, e sim a sua operação. Isso nas mãos de governo fica num preço proibitivo, pois sabemos como a Administração Pública é onerosa em nosso país e em todo o mundo.

Imaginem-se as legiões de servidores municipais para suprir as categorias de hotelaria de um hospital, acrescidos de enfermeiras, serventes e... médicos! E a parte administrativa? Tudo isso, para quê? Teria entrada na cachola do prefeito a ideia de construir um Hospital Municipal para os servidores municipais? Não acreditamos, porque esse monstro só poderia surgir na cabeça de um megalomaníaco. Seria para atender a pobreza do município? Aí está a Santa Casa de Misericórdia que o vem fazendo há 120 anos e não nos consta que tenha deixado de cumprir sua obra de misericórdia.

Muito provavelmente Herrmann Neto desconhece o fato de que o Brasil vem caminhando firmemente para eliminar a antiga figura do indigente, com o avanço da Previdência Social. Mesmo na época em que a indigência era muitíssimo maior do que hoje, a Santa Casa sempre acolheu a todos os necessitados, havendo época em que no seu ambulatório, além da consulta e dos atendimentos de pequena cirurgia, os pacientes saíam com os vidros de remédio na mão.

Inclusive, e disso somos testemunhas dos velhos tempos do médico Coriolano Ferraz do Amaral, que em idade provecta, muitas vezes cobria claros de atendimento por falta de um ou outro colega.

Voltaremos ao assunto.


Fortunato Losso Netto

Foi médico, jornalista, diretor e proprietário do Jornal de Piracicaba


 
 
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