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Cinco anos de agonia e desespero
Fortunato Losso Netto
20/04/2017 06h00
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3 de dezembro de 1960 - Uma das qualidades que se espera de um chefe de governo é a coerencia de atitudes, a firmeza de orientação, a clareza de rumo escolhido. A epoca das dubiedades e das contemporizações, do ‘deixe estar, para ver como fica‘ de há muito que foi ultrapassada, porque nada há que leve à desordem e ao descontentamento do que a desconfiança na atuação do chefe supremo da Nação.
 
O episodio do porta-aviões ‘Minas Gerais‘ está sendo tipico da desorientação do sr. Juscelino Kubitschek, gerando grave divergencia entre a Marinha e a Aeronautica. Enquanto que a Marinha, inclusive pelo seu Ministro Matoso Maia, reivindica o direito de possuir os seus proprios aviões, e comanda-los como força aerea autonoma, operando do navio aerodromo, entende a Aeronautica, pela voz de seu ministro Correa de Mello, que os aviões deverão ter pilotos da FAB, obedecendo às ordens da Força Aerea Brasileira. Essa pendencia vem sendo discutida, inclusive pela imprensa, com declarações desconcertantes, de ambos os lados, pondo em cheque o prestigio das forças armadas, em divergencia, e muito mais, a autoridade do chefe da Nação, que é, em ultima analise, o chefe supremo das Forças Armadas.
 
Enquanto se arrasta a pendencia, a Aeronautica envia para o exterior oficiais e subalternos para treinamento especializado nos tipos de aviões a jato que servirão no ‘Minas Gerais‘, gastando verbas naturalmente vultosas para essas operações. Por outro lado, a Marinha tambem enviou pessoal para especialização na aeronautica naval, tripulações que  diz o Ministro  vão integrar as equipes que operarão os aviões do navio aerodromo. Outras despesas astronomicas. O Ministerio da Marinha foi alem: autorizou a compra, pelas Forças Navais, de helicopteros apropriados para servirem no Porta-Aviões, o qual, dentro de pouco tempo, agora, deverá vir para o Brasil, para integrar nossa Esquadra, na qualidade de Capitanea.
 
Os nossos leitores talvez não saibam que o porta-aviões ‘Minas Gerais‘ é um navio que serviu a marinha inglesa, durante a ultima guerra, e uma vez adquirido, pela fabulosa importancia de 2 milhões de libras esterlinas, precisou entrar em estaleiros, na Holanda,  para completa reforma e modernização, obras que ficaram em mais 2 e meio milhões de libras esterlinas. Essa unidade, de custo de operação onerosissimo, pois em ação, dispende a incrivel importancia de 50 MILHÕES DE CRUZEIROS POR DIA, muito embora venha a reforçar consideravelmente a nossa armada, está longe de resolver os seus problemas. Isto mesmo acaba de afirmar o comandante do navio aerodromo holandês Karl Doorman que nos visitou estes dias, e que é irmão-gemeo do ‘Minas Gerais‘. Afirmou que, para completa eficiencia, precisariamos ter pelo menos dois desses vasos de guerra.
 
Ora, somos um país, cujo povo não tem escovas de dentes nem sapatos, e, portanto, não podemos nos dar ao luxo de possuir vasos de guerra de preço muito acima das nossas possibilidades economicas. Alem do mais, a presença de um navio desse tipo, virá desencadear uma corrida armamentista naval, no hemisferio sul, com todas as implicações da desconfiança de nossos vizinhos como a Argentina e o Chile, especialmente. Por outro lado, as crises que se desenvolvem no seio das classes armadas, com discussões e disputas perigosas entre a Marinha e a Aeronautica desaconselhariam formalmente a aquisição do vaso de guerra, que está prestes a chegar ao Brasil.
 
De tudo isso, se infere que, tambem nesse episodio, fomos vitimas da megalomania do presidente do desenvolvimentismo, cujas metas, verdadeiramente atingidas, têm sido a da miseria do povo e do incontrolavel caos economico em que foi engolfado o país. Graças a Deus, estamos no fim desse pesadelo, que durou cinco longos anos, que, no dizer do proprio presidente, valeram por cinquenta bem contados, de agonia e desespero.

Fortunato Losso Netto

Foi médico, jornalista, diretor e proprietário do Jornal de Piracicaba


 
 
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