,
Clique e
assine o JP
Televendas: 3428-4190
Classificados: 3428-4140
Comercial: 3428-4150
Redação: 3428-4170
Últimas notícias:
  • Piracicaba registra maior geração de empregos formais desde 2014
  • Em primeira discussão, Câmara aprova Guarda Civil para multar
  • Entidade pede donativos para atender cães

Sentido de uma comemoração
Fortunato Losso Netto
18/04/2017 06h00
  |      
ENVIAR     IMPRIMIR     COMENTE              
 
12 de maio de 1949 - A ressonancia que vêm encontrando por todo o Estado as comemorações do 30º aniversario da publicação do ‘Saudade‘ está longe de constituir um reflexo da atual posição do seu autor, na administração do ensino paulista. É, sim, o penhor do reconhecimento de quantos têm alguma responsabilidade na formação de nossa infancia, pela mudança de rumo nas publicações do genero, a partir do momento em que viu a luz o livrinho que celere se espalhou por todo o Brasil.
 
Até então, os livros de leitura destinados á escola primaria seguiam uma chapa esteriotipada, em que a atitude do autor, colocado na sua posição de professor, era a de transmitir conhecimentos, contar historias de velhas estampas francesas, coroadas indefectivelmente por severas maximas e lições de moral.
 
A leitura se tornava enfadonha, desinteressante e sem alvo certo, porque o material usado era frio e convencional. Aquelas paginas estavam distantes da vida dos escolares, do ambiente de suas cidadezinhas, das horas palpitantes de seus lares. Faltava o ‘quid‘ que inflama a imaginação infantil, e incorpora á sua propria vida interior os afazeres da escola. Faltava o fermento emocional, faltava o flagrante real, faltava a linguagem simples e humana da terra e da gente brasileira.
 
‘Saudade‘ veio revolucionar a tecnica de conversar com as crianças do Brasil. Escrito com o coração, quasi que como autobiografia, trazendo ás paginas fatos ‘idos e vividos‘, justifica-se plenamente o simile que já se aventou com a imortal obra paralela da literatura infantil peninsular  o ‘Cuore‘.
 
Brasileiro até no titulo, o livro de Thales de Andrade sulcou caminhos virgens de nossa literatura escolar. E é esse, justamente, o seu valor. O de precursor, o de desbravador de novos horizontes para novas tecnicas de ensino e de educação. Mas novos rumos brasileiros, sem a macaqueação dos compendios lá de fora, observando os problemas patrios, o futuro da nacionalidade, opondo a reação necessaria, ao primeiro surto de urbanização aguda que se seguiu á fase de industrialização apressada, na epoca da primeira guerra mundial.
 
Já naquele tempo, o educador com antenas de idealista sentia a necessidade de chamar a atenção para as belezas da vida campezina  seus habitos salutares, a importancia de suas tarefas no equilibrio social, a conveniencia de aliar-se a pratica á ciencia agronomicas, para o racional desenvolvimento agro-pecuario do país. São problemas atuais, que ainda desafiam a energia, a perseverança e o trabalho patriotico de nossos administradores.
 
Bem hajam, pois, aqueles que, dando o devido valor ao trabalho renovador de Thales de Andrade, festejam o 30º aniversario do ‘Saudade‘  o livro que marcou uma nova atitude do professor primario diante da criança brasileira, integrando-a mais ainda no culto á terra e ás mais caras tradições do Brasil.

Fortunato Losso Netto

Foi médico, jornalista, diretor e proprietário do Jornal de Piracicaba


 
 
Voltar

Comentários

Nome:
E-mail:
Comentário:
 

  • Seja o primeiro a comentar