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A morte do lutador
Fortunato Losso Netto
25/05/2017 04h00
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29 de outubro de 1983 - Piracicaba perde, com o desaparecimento de Romeu Ítalo Rípoli, um dos seus maiores valores. Figura controvertida, porque soube ser sempre autêntico. Tinha a coragem de assumir quaisquer situações, desde que ele as vivesse com verdade e amor.
 
Filho de pais humildes, teve um começo de vida muito difícil, lutando muito para poder estudar. Era uma das mais lúcidas inteligências que conheci. Ia direto ao âmago dos problemas que enfrentava, vendo profundamente todas as facetas existentes, num relâmpago, num ápice de gênio.
 
Trabalhador incansável, idealista, dava toda a sua exuberante energia ao que se dedicava para realizar. Um dos marcos de sua operosidade aí está, no bairro Cidade Jardim, que iniciou a renovação urbanística de Piracicaba. Ele mesmo a planejou, ele mesmo presidiu à sua execução. Dizia: quero morar entre o Brasil e a Itália. Edificou sua residência precisamente no local por ele planejado e escolhido: na esquina das avenidas Brasil e Itália.
 
Mas sua atividade mais espetacular foi, sem dúvida, no terreno esportivo. Presidente do E. C. XV de Novembro, em suas mãos o veterano clube viveu os seus maiores momentos de glórias e os de maior sofrimento. Lutador intimorato, não transigia com a injustiça. Na política esportiva, cheia de malícia e de desonestidade, Rípoli jamais deixou que esbulhassem os direitos do seu clube e nem dos pequeninos. Por isso mesmo era um verdadeiro líder no futebol paulista, ouvido, respeitado, condutor dos mais autênticos no desporto mais popular do Brasil.
 
Temperamental, o que lhe causou não pequenos transtornos na vida, era sincero em suas amizades, sacrificando-se ao extremo para sustentar sua solidariedade empenhada. Sensível, generoso, distribuía benesses a muita gente, anonimamente.
Rípoli acompanhava com paixão a evolução política do país, estando sempre muito bem informado especialmente no campo da política econômica. Com memória prodigiosa, trabalhava com dados atuais em todas as áreas, com argumentos insofismáveis, espírito extremamente lógico que era.
 
Quando acadêmico da ESALQ foi um líder estudantil, tendo mesmo, num esforço gigantesco, percorrido pacientemente toda a coleção do ‘Jornal‘ para levantar as atividades dos estudantes de agronomia, nos esportes, escrevendo o livro ‘40 ANOS DE GLÓRIAS‘ perpetuando os feitos das cores esportivas esalqueanas.
 
A figura de Romeu Ítalo Rípoli vai fazer falta na paisagem piracicabana. Poucos, muito poucos, vibraram como ele por esta terra, dando seu trabalho em prol do seu engrandecimento e projeção. Verdadeiramente, de luto está a nossa Piracicaba. Desapareceu uma de suas mais expressivas figuras humanas: Romeu Ítalo Rípoli.

Fortunato Losso Netto

Foi médico, jornalista, diretor e proprietário do Jornal de Piracicaba


 
 
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